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Escalada de ataques no Mar Negro pressiona transporte mundial de grãos

A intensificação dos ataques contra navios e instalações portuárias no Mar Negro está comprometendo as exportações de grãos da Rússia e da Ucrânia. Os dois países ocupam posições relevantes no comércio internacional de trigo, milho e outros produtos agrícolas.

Em julho, 23 marítimos morreram em ataques contra 35 navios na região, segundo informações da organização sindical Türkiye Denizciler Sendikası. O período foi apontado como o mais letal para tripulantes desde a ampliação recente do conflito marítimo.

Portos ucranianos como Odesa e Chornomorsk foram atingidos por forças russas, enquanto a Ucrânia intensificou o uso de drones contra navios e instalações russas. Em agosto, cálculos divulgados pela Reuters indicaram que mais de 97% da capacidade de exportação de grãos dos dois países no conjunto dos mares Negro e de Azov estava temporariamente paralisada.

Mar Báltico

A Rússia passou a direcionar parte das cargas para o Mar Báltico. Entretanto, a capacidade dos portos alternativos e das conexões terrestres é insuficiente para substituir integralmente a estrutura utilizada no sul do país.

A Turquia informou ter elaborado uma proposta para restabelecer condições de segurança ao transporte de grãos e mantém contatos com russos e ucranianos. O objetivo é recuperar parte do mecanismo que, entre 2022 e 2023, permitiu a movimentação de quase 33 milhões de toneladas de alimentos pelo Mar Negro.

A interrupção não afeta apenas os países envolvidos na guerra. A redução da oferta de grãos de baixo custo pode aumentar preços em mercados importadores da África, do Oriente Médio e da Ásia, além de elevar fretes e seguros. O episódio evidencia como a segurança marítima em uma única região pode repercutir rapidamente sobre cadeias alimentares internacionais.

Com informações do The Guardian e da Reuters.

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