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Gargalos nos acessos portuários elevam custos das exportações brasileiras

Quando o volume de veículos supera a capacidade dos terminais e dos pontos de controle, os atrasos se espalham por toda a cadeia/Imagem criada com IA

A capacidade dos terminais portuários brasileiros avançou nos últimos anos, mas as dificuldades para transportar as cargas até os portos continuam comprometendo a eficiência logística do país. Rodovias em condições inadequadas, baixa integração entre os diferentes meios de transporte e congestionamentos nos períodos de safra aumentam os custos do agronegócio e reduzem a competitividade das exportações.

Um dos casos mais recentes ocorreu em fevereiro de 2026. Durante o pico da colheita de soja, a fila de caminhões na BR-163 para acessar o Porto de Miritituba, no Pará, atingiu cerca de 40 quilômetros.

Miritituba é um dos principais pontos de transbordo de grãos destinados aos portos do Arco Norte. A carga chega por caminhões e segue em barcaças pelos rios amazônicos até terminais com acesso ao transporte marítimo.

Quando o volume de veículos supera a capacidade dos terminais e dos pontos de controle, os atrasos se espalham por toda a cadeia. Chuvas, acidentes, fiscalizações e problemas nas estradas podem reduzir ainda mais a fluidez do tráfego.

O resultado aparece no aumento do tempo de viagem, no consumo de combustível, no custo dos fretes e no risco de descumprimento das janelas estabelecidas para o embarque.

Atrasos também afetam o transporte marítimo

Os prejuízos não ficam restritos ao trecho rodoviário. Segundo a Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), atrasos na movimentação e liberação das cargas podem gerar despesas de demurrage próximas de US$ 40 mil por dia.

A demurrage é uma cobrança aplicada quando navios ou contêineres permanecem em uso além do prazo acordado. Esse custo acaba incorporado à operação e pressiona as margens dos produtos exportados.

Para a Confederação Nacional do Transporte (CNT), as filas nos corredores portuários deixaram de ser episódios isolados e demandam planejamento de longo prazo. A entidade defende medidas como a implantação de pátios de triagem, sistemas de agendamento, estruturas logísticas próximas aos terminais e maior integração entre rodovias, ferrovias e hidrovias.

A situação das estradas na região Norte amplia o desafio. A Pesquisa CNT de Rodovias 2025 avaliou 13,9 mil quilômetros na região e classificou 81,3% da extensão analisada como regular, ruim ou péssima.

Problemas no pavimento, na sinalização e na geometria das vias afetam corredores essenciais para conectar a produção do Centro-Oeste aos portos amazônicos.

Integração logística é decisiva

A expansão do Arco Norte reduziu distâncias e criou novas alternativas para o escoamento de grãos. Entretanto, o aproveitamento desse potencial depende de investimentos coordenados em todos os trechos da cadeia.

Além da recuperação das rodovias e da ampliação ferroviária, representantes do setor defendem um planejamento nacional para as hidrovias, com dragagem, manutenção das vias navegáveis e novos modelos de concessão e financiamento.

Sem essa integração, ganhos obtidos dentro dos terminais podem ser anulados antes mesmo de a carga chegar ao porto.

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