Os Estados-membros da União Africana aprovaram a Declaração de Luanda sobre a Economia Azul, compromisso político que pretende acelerar a implementação de projetos ligados aos oceanos, mares, rios, lagos e zonas costeiras do continente. O documento foi adotado durante a terceira Semana Africana da Economia Azul, realizada de 22 a 25 de julho, na capital de Angola.
Organizado pelo Governo angolano, pela Comissão da União Africana e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o encontro reuniu ministros, instituições financeiras, empresas, pesquisadores, organizações internacionais e representantes da sociedade civil. O tema central foi a passagem das estratégias já formuladas para ações capazes de produzir resultados econômicos e sociais.
A declaração estabelece como prioridades o fortalecimento da governança, a mobilização de financiamento sustentável e a ampliação da cooperação regional. Também defende que os países incorporem as diretrizes continentais a seus planos nacionais de desenvolvimento, às políticas de adaptação climática e à Agenda 2063 da União Africana.
A economia azul africana movimenta atualmente entre US$ 296 bilhões e US$ 300 bilhões por ano e sustenta cerca de 49 milhões de empregos. Com investimentos e políticas coordenadas, a União Africana estima que essa contribuição possa chegar a US$ 405 bilhões e 57 milhões de postos de trabalho em 2030. Para 2063, a projeção alcança US$ 576 bilhões e 78 milhões de empregos.
Os participantes também discutiram a integração dos setores marítimos à Área de Livre Comércio Continental Africana. A intenção é melhorar as conexões portuárias e logísticas, ampliar o comércio regional e desenvolver cadeias produtivas relacionadas à pesca, aquicultura, transporte, turismo costeiro e energias renováveis.
Relatório
Entre os resultados do encontro está o lançamento do Relatório sobre o Estado da Economia Azul em África 2026. O documento reúne dados para orientar políticas públicas e investimentos. Também foi apresentado um programa de aceleração de iniciativas lideradas por jovens e mulheres em áreas como aquicultura sustentável, reciclagem, restauração costeira e redução da poluição.
O desafio passa agora pela capacidade de converter a Declaração de Luanda em projetos financiáveis e coordenados entre os países. Com mais de 90% do comércio africano transportado pelo mar, o fortalecimento da economia azul pode contribuir para a integração continental, mas exigirá infraestrutura, segurança marítima, governança ambiental e mecanismos permanentes de financiamento.






