O aumento da temperatura nos mares britânicos está modificando a distribuição das espécies, afetando a pesca e acelerando a degradação de habitats costeiros. Animais associados a águas mais quentes tornaram-se mais frequentes, enquanto espécies adaptadas ao frio procuram regiões mais profundas ou avançam para o norte.
Sardinhas, anchovas, robalos e polvos estão entre as espécies que ganharam espaço. Ao mesmo tempo, peixes de águas mais frias, como o bacalhau, podem perder parte de suas áreas tradicionais, alterando a composição das capturas e a atividade econômica das comunidades pesqueiras.
De acordo com informações do The Guardian, o aumento da população de polvos em Devon e Cornwall, por exemplo, ampliou as capturas da espécie, mas também reduziu a disponibilidade de lagostas, um de seus alimentos. Algumas embarcações já começaram a adaptar suas operações para explorar o recurso que se tornou mais abundante.
Temperaturas extremas
As mudanças atingem ainda pradarias marinhas e florestas de algas, ecossistemas que funcionam como berçários de espécies, armazenam carbono e ajudam a proteger o litoral contra erosão e inundações. A repetição de temperaturas extremas pode comprometer iniciativas de restauração desses ambientes.
Águas mais quentes também favorecem a proliferação de algas nocivas e organismos capazes de afetar animais e seres humanos. Os efeitos sobre a reprodução dos peixes podem demorar anos para se tornar visíveis, porque ovos e indivíduos jovens são particularmente vulneráveis.
Embora o caso esteja concentrado no Reino Unido, o fenômeno representa um alerta para outras economias costeiras. A elevação da temperatura do oceano exige que políticas de pesca, conservação e adaptação climática considerem que os estoques explorados hoje podem mudar de localização ou perder produtividade.






