A Índia superou a China e passou a ocupar a segunda posição entre os países que mais fornecem profissionais para a navegação mundial. O país fica atrás apenas das Filipinas, que continuam liderando o mercado global de trabalhadores marítimos.
Os dados constam no Relatório da Força de Trabalho de Marítimos BIMCO-ICS 2026. Segundo o levantamento, a Índia contribui atualmente com 311.936 profissionais para a operação da frota internacional.
O avanço reflete os investimentos realizados pelo país em formação, certificação e qualificação de oficiais e tripulantes. Também acompanha o crescimento da participação indiana em diferentes áreas da indústria marítima, como construção naval, operação portuária e transporte de cargas.
Navegação mundial enfrenta falta de profissionais
A disponibilidade de marítimos qualificados tornou-se uma preocupação para armadores e operadores. A expansão da frota mundial, o aumento das exigências regulatórias e a incorporação de novas tecnologias elevaram a demanda por profissionais preparados para trabalhar a bordo.
A transição energética também modificará as competências necessárias. Navios movidos a GNL, metanol, amônia e outros combustíveis alternativos exigem treinamento específico para operação, abastecimento e resposta a emergências.
Além das habilidades técnicas, o setor enfrenta dificuldades relacionadas à permanência dos trabalhadores na carreira. Longos períodos longe da família, conectividade limitada e impactos sobre a saúde física e mental reduzem a atratividade da atividade.
Formação marítima ganha valor estratégico
O crescimento da Índia demonstra que a capacitação profissional também pode ocupar um lugar relevante na economia do mar. Países com escolas náuticas estruturadas e certificações reconhecidas internacionalmente conseguem inserir seus trabalhadores em uma atividade global e gerar renda por meio do emprego marítimo.
Para o Brasil, o movimento reforça a importância de ampliar a formação de oficiais e tripulantes diante das perspectivas de crescimento da cabotagem, do apoio offshore, da indústria naval e de novos segmentos marítimos.
Sem profissionais suficientes, a expansão da frota e das atividades econômicas no mar pode encontrar um gargalo que não será resolvido apenas com novos navios e infraestrutura.






