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Cientistas desenvolvem tecnologia para monitorar zooplâncton por satélite

Método utiliza alterações na cor do oceano para localizar organismos que sustentam cadeias alimentares marinhas e podem indicar áreas de alimentação de baleias/Imagem criada com Inteligência Artificial

Pesquisadores do Bigelow Laboratory for Ocean Sciences, nos Estados Unidos, estão desenvolvendo uma tecnologia para monitorar a distribuição do zooplâncton por meio de imagens de satélite. A iniciativa pode ampliar a compreensão das cadeias alimentares oceânicas e apoiar ações relacionadas à pesca, à conservação e ao planejamento das atividades marítimas.

O método analisa variações na cor do oceano provocadas pela astaxantina, pigmento avermelhado encontrado em diferentes organismos marinhos. Entre eles estão os copépodes, pequenos crustáceos que integram o zooplâncton e servem de alimento para peixes, aves e mamíferos marinhos.

A astaxantina também é responsável pela coloração característica do salmão. Quando grandes concentrações de copépodes se aproximam da superfície, o pigmento pode alterar o sinal de luz refletido pela água e captado pelos sensores dos satélites.

Zooplâncton é mais difícil de observar do espaço

Há quase 50 anos, cientistas utilizam a clorofila para estimar por satélite a presença de fitoplâncton, conjunto de organismos microscópicos que realiza fotossíntese. Como a clorofila está amplamente distribuída nesse grupo, ela funciona como um indicador relativamente consistente.

O zooplâncton representa um desafio maior. Muitos desses organismos são transparentes e não possuem um pigmento comum que permita identificá-los diretamente do espaço.

Para superar essa limitação, os pesquisadores criaram algoritmos capazes de converter anomalias avermelhadas nas imagens do oceano em estimativas da presença de organismos ricos em astaxantina.

O trabalho está concentrado no Golfo do Maine, no nordeste dos Estados Unidos, e tem como um de seus focos o Calanus finmarchicus. Esse copépode, com alto teor de gordura, ocupa uma posição central na cadeia alimentar do Atlântico Norte.

Tecnologia pode ajudar na proteção de baleias

Em um estudo publicado em 2026 no ICES Journal of Marine Science, a equipe avaliou um índice de astaxantina calculado a partir de dados de satélite. As estimativas apresentaram correspondência com observações de baleias-francas-do-atlântico-norte em atividade de alimentação.

A espécie depende de grandes concentrações de copépodes para se alimentar e está criticamente ameaçada. Localizar áreas com maior disponibilidade de zooplâncton pode ajudar pesquisadores a prever os deslocamentos das baleias e orientar medidas para reduzir colisões com embarcações e emalhamentos em equipamentos de pesca.

A tecnologia também poderá contribuir para o acompanhamento dos recursos pesqueiros. Como o zooplâncton sustenta diversas populações de peixes, mudanças em sua quantidade ou distribuição podem antecipar transformações em ecossistemas de interesse econômico.

Método ainda não identifica espécies específicas

Os resultados obtidos até agora também revelaram uma limitação importante. O sistema detecta a assinatura óptica da astaxantina, mas ainda não consegue determinar qual espécie produziu o sinal.

Além do Calanus finmarchicus, outros copépodes, o krill e diferentes organismos presentes nas águas superficiais contêm o mesmo pigmento. Uma concentração identificada pelo satélite, portanto, não pode ser atribuída automaticamente a uma espécie específica.

Diante desse obstáculo, os cientistas decidiram concentrar a próxima etapa da pesquisa na relação entre a quantidade de astaxantina presente na água e o sinal captado pelos sensores. A meta é construir uma base mais precisa antes de transformar as observações em estimativas de abundância do zooplâncton.

Medições no mar

O desenvolvimento também dependerá de medições realizadas diretamente no mar. Amostras coletadas por embarcações continuarão sendo necessárias para validar os modelos e verificar quais organismos estão presentes em cada área observada.

Se aperfeiçoada, a ferramenta poderá oferecer uma visão mais ampla e frequente da dinâmica do zooplâncton, inclusive em regiões de difícil acesso. Para os pesquisadores, alcançar essa escala de observação ajudaria a revelar como as mudanças climáticas e ambientais estão alterando a base das cadeias alimentares marinhas.

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