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Pirataria volta a crescer na Somália e ameaça rota pelo sul da África

A pirataria voltou a ganhar força no litoral da Somália em meio ao aumento da instabilidade regional e à mudança das rotas do transporte marítimo internacional, informou o jornal The Guardian. Desde o fim de abril, foram registrados oito sequestros de embarcações na região, número que indica o retorno da atividade a níveis não observados havia cerca de uma década.

Entre os casos recentes está o sequestro do Lutuf, navio de bandeira camaronesa que transportava equipamentos militares destinados à Turquia. A embarcação foi libertada duas semanas depois, após uma operação conjunta conduzida por forças turcas e somalis. Autoridades locais afirmam, porém, que também teria sido pago um resgate de US$ 2,5 milhões.

Os grupos passaram a utilizar navios anteriormente capturados como embarcações-mãe, capazes de transportar homens e lanchas para áreas mais distantes da costa. Também há relatos do uso de internet por satélite para localizar possíveis alvos e manter comunicações durante as operações.

Redirecionamento do tráfego

O crescimento da pirataria coincide com o redirecionamento de parte do tráfego que anteriormente atravessava o Mar Vermelho. Com os riscos associados aos conflitos no Oriente Médio, muitos armadores passaram a contornar o Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, aproximando mais embarcações comerciais da costa somali.

A mudança também ocorreu num momento de redução da presença naval internacional no Golfo de Áden. Parte dos recursos utilizados no combate à pirataria foi deslocada para acompanhar as ameaças no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz, enquanto a capacidade da Somália de patrulhar seu próprio litoral permanece limitada.

O avanço da pirataria tende a aumentar os gastos com seguros, segurança privada, combustível e medidas de proteção a bordo. Para os armadores, o contorno da África já representa viagens mais longas e caras. A combinação entre desvios de rota e novos riscos na costa somali amplia a pressão sobre uma passagem que se tornou fundamental para o comércio entre a Ásia e a Europa.

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