Pesquisadores do MIT Lincoln Laboratory estão desenvolvendo veículos subaquáticos autônomos capazes de trabalhar em conjunto com mergulhadores em operações como inspeção e reparo de infraestrutura, busca e salvamento e ações relacionadas à localização de minas. A proposta é usar robôs para reduzir o tempo de busca e exposição humana em ambientes de difícil acesso, sem substituir o trabalho dos mergulhadores.
O projeto combina veículos autônomos, inteligência artificial, sonar, sensores e sistemas de comunicação acústica. A ideia é aproveitar as vantagens de cada lado: enquanto os robôs conseguem percorrer áreas maiores, processar dados e operar por mais tempo, os mergulhadores continuam responsáveis por tarefas que exigem interpretação, tomada de decisão e movimentos precisos.
Um dos exemplos apresentados pelos pesquisadores envolve cabos elétricos subaquáticos. Em vez de mobilizar mergulhadores ou veículos operados remotamente para percorrer toda a extensão de uma linha em busca de uma falha, um AUV — sigla em inglês para veículo subaquático autônomo — poderia mapear o cabo, localizar a região do problema e informar sua posição ao mergulhador, que seguiria diretamente para o ponto de reparo.
Possibilidades
A mesma lógica pode ser aplicada à identificação de objetos potencialmente perigosos. Em operações envolvendo minas, por exemplo, o robô pode fotografar e analisar um alvo. Caso o sistema não consiga classificá-lo com segurança, as informações coletadas e a localização são repassadas ao mergulhador, que faz a avaliação e executa as etapas que dependem de maior capacidade de julgamento ou manipulação.
Um dos desafios é fazer essa cooperação funcionar em condições adversas. Em águas turvas ou com pouca iluminação, câmeras perdem eficiência, enquanto imagens de sonar exigem sistemas capazes de interpretar formas e sombras. A comunicação também é mais complexa, já que sinais de rádio não se propagam debaixo d’água como no ar e transmissões acústicas podem sofrer interferências.
Para enfrentar essas limitações, a equipe do MIT trabalha em tecnologias capazes de manter robôs e mergulhadores localizados durante a missão. Entre os equipamentos testados está um dispositivo levado pelos mergulhadores que reúne sensores de pressão e profundidade, medição de movimento e modem para calcular distâncias entre os integrantes da operação.
Os experimentos já saíram do ambiente de simulação. Veículos equipados com sensores foram testados na costa da Nova Inglaterra e em operações próximas a Portsmouth, em New Hampshire. Também foram realizados testes com mergulhadores no Great Lakes Research Center, da Michigan Technological University. Em outra frente, pesquisadores demonstraram no Oceano Pacífico um sistema de navegação baseado em câmera capaz de mapear em três dimensões um naufrágio e calcular sua posição em tempo real.
A tecnologia ainda está em desenvolvimento e o Lincoln Laboratory busca avançar na integração dos sistemas e em possíveis aplicações comerciais e militares. A expectativa é que, no futuro, veículos autônomos possam assumir etapas de busca, mapeamento e localização de riscos, permitindo que mergulhadores sejam acionados de forma mais precisa para as tarefas em que habilidade manual e decisão humana continuam indispensáveis.






