Pesquisadores desenvolveram recentemente uma ferramenta digital para estimar a redução das ondas ao atravessarem manguezais durante tempestades.
A proposta foi apresentada em estudo publicado na revista Climate Risk Management e ganhou destaque em reportagem da Mongabay em 1º de outubro.
A equipe utilizou medições feitas em um manguezal restaurado na costa chinesa de Zhanjiang, atingido pelo tufão Yagi em 2024.
Comportamento da vegetação
Os registros permitiram avaliar o comportamento da vegetação diante de ondas mais intensas do que aquelas normalmente acompanhadas em campo.
No conjunto analisado pelo estudo, houve redução de 59% na altura significativa das ondas dentro do manguezal. O resultado representa as condições observadas naquele local, sem estabelecer um percentual aplicável a todas as áreas costeiras.
O método combina informações sobre as ondas e a profundidade da água. A aplicação permite utilizar dados coletados em períodos de tempo calmo para estimar o desempenho da proteção natural em situações mais severas.
Os autores apontam possíveis usos em projetos de restauração e engenharia costeira. Pesquisadores ouvidos pela Mongabay ressaltam que a ferramenta ainda precisa ser avaliada em outros ambientes.
Para gestores do litoral, estimativas desse tipo podem ajudar a comparar alternativas antes de investir. A largura da área restaurada, as condições do terreno e o espaço disponível precisam entrar no planejamento, em conjunto com os resultados do modelo.
A avaliação econômica também deve considerar manutenção e acompanhamento. Comparar somente o custo inicial de uma intervenção pode deixar de fora despesas futuras ou benefícios que só aparecem depois do desenvolvimento da vegetação.
A ferramenta oferece uma referência adicional para essa análise. Sua aplicação em uma cidade, instalação portuária ou comunidade costeira, porém, depende de dados locais e de uma avaliação técnica que considere os limites da proteção esperada.






