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Transporte pelo Rio Potengi pode ampliar alternativas de mobilidade em Natal

O Rio Potengi pode ganhar um novo papel na mobilidade de Natal: oferecer travessias de passageiros integradas ao transporte público terrestre. A possibilidade abre uma discussão sobre como aproveitar as águas para ampliar as opções de deslocamento entre a Zona Norte, o Centro e outras regiões da capital potiguar.

A ligação rodoviária da Zona Norte com as demais áreas da cidade depende fundamentalmente de duas pontes. Nos horários de maior movimento, a concentração de veículos nesses acessos compromete os deslocamentos, com efeitos sobre o trabalho, o comércio e a qualidade de vida da população.

A proposta de estudar uma hidrovia urbana é defendida por Paulo César Dantas Fernandes, presidente da Sociedade Amigos da Marinha de Natal (Soamar Natal), no artigo intitulado “O Rio Potengi e a Mobilidade Urbana de Natal”. A ideia é avaliar terminais nas margens do Potengi conectados às linhas de ônibus e ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), criando alternativas complementares às pontes e avenidas.

Para funcionar no cotidiano, o serviço precisaria reunir horários regulares, tarifa acessível e conexões eficientes. A travessia pela água seria parte de uma rede de deslocamentos, com atenção ao tempo necessário para chegar ao terminal e continuar a viagem após o desembarque.

Estudos devem orientar decisões

O aproveitamento do Potengi para o transporte público exige avaliar profundidade, marés, correntes e convivência com a navegação portuária. Embarcações de baixo calado poderiam ser consideradas, desde que adequadas às condições locais e às exigências ambientais e de segurança.

A localização dos terminais seria outro ponto decisivo. Estruturas próximas dos corredores de transporte e das áreas de concentração de passageiros poderiam facilitar a integração. Acessibilidade, iluminação, abrigo e segurança nos acessos também precisariam fazer parte do planejamento.

Na dimensão econômica, o estudo deveria comparar os custos de implantação e operação com a demanda estimada. Obras de acesso, manutenção das embarcações, equipes e infraestrutura de embarque entrariam nessa avaliação, permitindo dimensionar as necessidades de financiamento e o valor das passagens.

Um eventual projeto-piloto permitiria testar trajetos, demanda e custos antes de investimentos maiores. A experiência também ajudaria a verificar a regularidade das viagens em diferentes condições de maré e tempo, produzindo informações para decidir sobre a continuidade ou a expansão do serviço.

A construção dessa análise dependeria de articulação entre governo estadual, prefeitura, representantes do Legislativo, universidades, autoridades marítimas e sociedade civil. A participação dos usuários seria importante para identificar os percursos prioritários e compreender as dificuldades de quem depende diariamente do transporte coletivo.

O debate não elimina a necessidade de melhorar os ônibus, conservar as vias e avançar na fiscalização e na educação para o trânsito. O transporte aquaviário teria de ser avaliado dentro desse conjunto de medidas, considerando sua capacidade de contribuir para uma rede mais eficiente.

Para a economia do mar, a discussão aproxima mobilidade, infraestrutura e uso sustentável dos espaços aquáticos. O próximo passo é verificar, com base em estudos, se o Potengi pode se tornar uma conexão útil para a cidade, além de sua importância histórica, ambiental e paisagística.

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