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Entenda como o El Niño desloca aves e revela perda de produtividade no Pacífico

Peixes como anchovas e sardinhas se afastam de suas áreas habituais, obrigando as aves a percorrer distâncias maiores.

A chegada incomum de aves marinhas da América do Sul ao Panamá tornou-se um sinal visível das mudanças provocadas pelo El Niño na cadeia alimentar do Pacífico. Espécies encontradas normalmente nas águas frias do Peru e do Chile estão viajando para o norte em busca de alimento.

O aquecimento da superfície do oceano reduz o acesso às águas frias e ricas em nutrientes das camadas mais profundas. Com menos nutrientes disponíveis, cai a produtividade marinha, afetando organismos que sustentam toda a cadeia alimentar.

Peixes como anchovas e sardinhas se afastam de suas áreas habituais, obrigando as aves a percorrer distâncias maiores. Entre 60 e 400 atobás-de-pés-azuis foram observados em áreas próximas à Cidade do Panamá desde junho, número superior ao registrado durante eventos anteriores.

Escassez de alimentos

Embora a espécie seja encontrada no Golfo do Panamá, a quantidade e a proximidade da capital chamaram a atenção dos pesquisadores. Essas aves não são consideradas migratórias e somente realizam deslocamentos dessa proporção quando enfrentam escassez de alimentos.

O fenômeno pode afetar também os ciclos reprodutivos. Ao gastar mais energia na busca por peixes, as aves têm menos recursos para reprodução e cuidado dos filhotes, o que pode provocar efeitos duradouros sobre as populações.

As alterações observadas ajudam a antecipar impactos econômicos sobre a pesca. Anchovas e sardinhas possuem importância comercial e alimentam espécies de maior valor. Quando sua distribuição muda, embarcações precisam percorrer novas áreas, os custos aumentam e comunidades dependentes dos estoques locais ficam mais vulneráveis.

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