A Cosan avançou nas negociações para deixar o Terminal de Uso Privado Porto São Luís, no Maranhão. A companhia formalizou uma carta de intenções apresentada por um terceiro interessado na aquisição de 100% da participação da empresa no ativo, por um preço indicativo de R$ 300 milhões.
O acordo prevê ainda um mecanismo de pagamento adicional relacionado à futura expansão da infraestrutura. A Cosan poderá receber aproximadamente R$ 50 milhões por cada novo berço de atracação implantado no terminal até 2035, além do berço principal já existente. Os valores deverão ser atualizados pela variação do IPCA.
A operação ainda não representa uma venda concluída. A carta estabelece um período de exclusividade para a negociação dos documentos definitivos, e o fechamento dependerá do cumprimento das condições previstas para a transação. A identidade do potencial comprador não foi divulgada.
Potencial de expansão do ativo
A estrutura de remuneração chama atenção para o potencial de expansão do ativo. Ao atrelar pagamentos futuros à implantação de novos berços, a proposta atribui valor não apenas à infraestrutura existente, mas também à possibilidade de aumentar a capacidade portuária ao longo dos próximos anos.
Do ponto de vista da Cosan, a negociação ocorre dentro de uma estratégia mais ampla de venda e monetização de ativos para reduzir seu endividamento. A dívida líquida expandida da companhia alcançou R$ 11,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, e o grupo vem adotando diferentes iniciativas para reforçar sua estrutura de capital.
A negociação também evidencia o valor crescente dos terminais privados dentro da infraestrutura logística brasileira. Ativos portuários capazes de receber investimentos adicionais, ampliar berços e integrar cadeias de exportação e importação vêm atraindo capital justamente pela combinação entre localização, capacidade física e perspectiva de crescimento da movimentação de cargas.
No caso do Porto São Luís, o próximo passo será a negociação dos contratos definitivos. Até que as condições sejam cumpridas e a transação efetivamente fechada, o terminal permanece sob participação da Cosan.






