Uma comitiva formada por 30 empresários está em Luanda, capital de Angola, para avaliar oportunidades de investimento, produção local e exportação de tecnologia, em um movimento que ganhou força com a busca do Brasil por maior diversificação de mercados internacionais.
Segundo informações da CNN Brasil, a aproximação entre os dois países inclui o Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil–Angola, formalizado em 2025. Neste ano, o governo brasileiro apresentou uma proposta de US$ 120 milhões em investimentos agrícolas, que prevê inicialmente a concessão de 20 mil hectares nas províncias de Cuanza Norte, Uíge e Malanje para projetos conduzidos por produtores brasileiros.
O interesse está relacionado ao potencial do mercado angolano. Com cerca de 37 milhões de habitantes, Angola ainda depende significativamente da importação de alimentos: segundo dados apresentados por autoridades locais e citados pela CNN, a produção nacional atende aproximadamente 37% da demanda interna, enquanto as compras externas de alimentos se aproximam de US$ 3 bilhões por ano.
Estratégia ampla
A estratégia vai além da produção agrícola. O projeto contempla exportações de máquinas fabricadas no Brasil, sementes, insumos e tecnologia, além de investimentos em armazenagem, irrigação e infraestrutura. O financiamento deverá envolver o BNDES e o Fundo Soberano de Angola, com participação do Banco do Brasil na operação de recursos do Proex.
Para a economia do mar, o avanço dessa relação pode ter reflexos sobre os fluxos logísticos entre Brasil e África. Caso os investimentos se consolidem, o crescimento das exportações de equipamentos, insumos e outros produtos poderá ampliar a demanda por transporte marítimo e serviços portuários no eixo Brasil–Angola — uma consequência possível da expansão comercial projetada entre os dois países.
A aposta brasileira também se apoia na experiência acumulada em agricultura tropical. Empresários e autoridades defendem que o conhecimento desenvolvido ao longo de décadas no Cerrado pode ser aplicado às condições de determinadas regiões africanas, criando oportunidades para internacionalização de empresas brasileiras e transferência de tecnologia.






