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Expedição investigará biodiversidade pouco conhecida do Atlântico profundo

Uma expedição científica programada para a segunda quinzena de setembro investigará a Zona de Fratura Romanche, uma das áreas mais profundas e menos estudadas do Atlântico. A região está localizada entre o Brasil e a costa ocidental da África, e corta a Cordilheira Mesoatlântica nas proximidades da Linha do Equador.

A missão será realizada a bordo do navio de pesquisa “Falkor (too)”, operado pelo Schmidt Ocean Institute. A área reúne relevos submarinos acidentados, encostas cobertas por sedimentos, correntes equatoriais intensas e processos sazonais de ressurgência.

Entre os participantes está o pesquisador Mauricio Shimabukuro, da Universidade Federal do Rio Grande. Seu trabalho será direcionado a invertebrados bentônicos, organismos que vivem associados ao fundo do mar, como poliquetas, nematódeos e espécies da chamada meiofauna.

Pouco conhecidos

Por serem pequenos e viverem em grandes profundidades, muitos desses animais ainda são pouco conhecidos. Os pesquisadores estimam que a expedição possa encontrar dezenas — e possivelmente mais de uma centena — de espécies novas para a ciência.

A equipe utilizará equipamentos de mapeamento do relevo submarino, veículos de exploração e sistemas de coleta e documentação da vida marinha. Os dados deverão ajudar a compreender como as correntes, a geologia e a disponibilidade de nutrientes influenciam a distribuição das espécies no Atlântico profundo.

O conhecimento produzido também possui implicações econômicas e políticas. A expansão de atividades como mineração em águas profundas, pesca e instalação de infraestrutura submarina aumenta a necessidade de informações sobre áreas ainda pouco estudadas. Sem uma linha de base científica, torna-se difícil medir impactos ou estabelecer regras de proteção adequadas para esses ecossistemas.

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