Irã e Omã avançaram recentemente nas negociações para estabelecer um corredor temporário de navegação no Estreito de Ormuz. O anúncio foi feito pelo vice-chanceler iraniano Kazem Gharibabadi, que informou que os detalhes do acordo ainda precisam ser finalizados antes de qualquer retomada do tráfego.
A proposta prevê uma rota com 11,3 quilômetros de largura, com entrada e saída pelas águas territoriais do Irã. Segundo autoridades iranianas, as conversas também envolvem a participação de Irã e Omã na administração do corredor e nas receitas geradas pela passagem das embarcações.
Antes do conflito no Oriente Médio, o tráfego utilizava três faixas com cerca de três quilômetros de largura cada: uma para entrada, outra para saída e uma terceira para separação. O estreito possui aproximadamente 39 quilômetros em seu ponto mais estreito e é formado pelas águas territoriais dos dois países.
Taxa sobre as cargas
A possível cobrança de uma taxa sobre as cargas está entre os pontos discutidos, embora nenhum valor tenha sido divulgado. O modelo aproximaria a travessia de Ormuz de outros corredores marítimos com cobrança de tarifas, como o Canal de Suez.
Apesar do anúncio, o estreito permanecerá obstruído até a conclusão das negociações. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ainda que a implementação dependerá da concordância dos Estados Unidos, que se opõem a uma solução que deixe o controle do corredor nas mãos de Teerã.
A circulação de navios na região permanece muito abaixo dos níveis anteriores ao conflito. A média móvel de sete dias chegou a 95 embarcações em fevereiro, mas apenas cinco navios passaram pelo estreito na terça-feira, 25 de agosto, segundo dados do MarineTraffic citados pelo jornal Folha de S.Paulo.
A interrupção afetou navios e tripulações no Golfo Pérsico, elevou custos logísticos e contribuiu para manter o petróleo cerca de 20% acima do valor registrado em fevereiro. Antes da guerra, aproximadamente um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito passava por Ormuz.
O avanço das conversas reduz parte da incerteza, mas ainda não representa a normalização da rota. Para armadores, seguradoras e importadores, uma retomada consistente dependerá de segurança operacional, regras claras de passagem e estabilidade política. Sem essas condições, o corredor temporário pode aliviar o bloqueio sem recuperar o volume de tráfego anterior ao conflito.






