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Porto do Açu testará combustível marítimo produzido com carbono capturado do ar

O Porto do Açu, no norte do Rio de Janeiro, prepara a implantação de uma unidade experimental para produzir combustível sintético destinado a embarcações de apoio. O projeto prevê a captura direta de dióxido de carbono da atmosfera e o aproveitamento do gás como matéria-prima.

Chamado de DAC-to-Sea, o projeto pretende testar toda a cadeia tecnológica dentro do complexo portuário, desde a retirada do CO₂ do ar até o abastecimento das embarcações. Segundo o Porto do Açu, o combustível poderá reduzir em até 90% as emissões de carbono ao longo de seu ciclo de vida, em comparação com a alternativa de origem fóssil.

A primeira fase, dedicada aos testes iniciais, já foi concluída. A próxima etapa será a construção da planta de captura de carbono. Depois da instalação, serão avaliadas a viabilidade comercial da solução e a possibilidade de ampliar a produção.

Captura estimada

A unidade terá capacidade estimada para capturar cerca de 5 mil toneladas de CO₂ por ano. Esse volume permitiria produzir aproximadamente 300 litros diários de combustível sintético.

O produto deverá substituir o diesel marítimo, conhecido pela sigla MGO, em embarcações de pequeno e médio porte que atuam no complexo. A tecnologia não será destinada inicialmente aos grandes navios que utilizam bunker, como petroleiros e graneleiros.

Produção ainda será experimental

O volume previsto representa apenas uma pequena parcela da demanda interna do porto, estimada em aproximadamente 30 mil litros de diesel marítimo. O objetivo da fase inicial é verificar o funcionamento da tecnologia em condições reais e avaliar se o modelo pode ser replicado em maior escala.

A iniciativa prevê a captação de US$ 700 milhões para o desenvolvimento de todas as fases planejadas no Açu, com participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O projeto é realizado em parceria com a Repsol Sinopec Brasil e articulado pelo Cais Açu Lab, centro de inovação que conecta empresas, startups, universidades e instituições de pesquisa.

A produção de combustíveis marítimos de menor emissão ganhou relevância diante das metas de descarbonização do transporte marítimo. A estratégia adotada pela Organização Marítima Internacional prevê reduzir em pelo menos 40% a intensidade de carbono do setor até 2030 e alcançar emissões líquidas zero por volta de 2050.

Embora a produção inicial seja limitada, o projeto transforma o complexo portuário em um ambiente de testes para uma tecnologia que, se demonstrar viabilidade técnica e econômica, poderá ser utilizada em outras operações marítimas.

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