Estaleiros têm encomendas de 336 navios projetados para operar com metanol, mas que também podem ser adaptados para consumir etanol.
Quando essas embarcações estiverem em operação, a demanda pelo biocombustível poderá chegar a 15 bilhões a 20 bilhões de litros até 2030, segundo estimativa citada pelo coordenador de assuntos ambientais da Comissão Coordenadora para os Assuntos da Organização Marítima Internacional (CCA-IMO), Flavio Mathuyi.
A conversão entre os combustíveis exigiria ajustes nos injetores e no software dos motores, de acordo com Mathuyi.
Alternativas ampliadas
A possibilidade amplia as alternativas para armadores que buscam reduzir as emissões da navegação, mas a projeção de consumo depende da adaptação das embarcações e da oferta comercial de etanol nos portos.
O combustível já aparece em iniciativas do setor. A Maersk realizou testes com etanol puro em Roterdã, enquanto a CMA CGM abasteceu uma embarcação com o produto em Santos. A Vale, por sua vez, começou a encomendar navios projetados exclusivamente para operar com etanol, segundo a publicação.
Entre as vantagens apontadas estão o custo de aquisição, a disponibilidade e a segurança. A infraestrutura portuária brasileira também pode favorecer o abastecimento: há tanques de armazenamento em portos do país que poderiam atender embarcações.
A escala desse fornecimento, porém, dependerá de contratos, logística de distribuição e padrões técnicos aceitos internacionalmente.
A Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) discute regras para medir a intensidade de carbono dos combustíveis navais.
O reconhecimento dos benefícios climáticos do etanol de cana-de-açúcar poderia permitir que armadores contabilizassem seu uso em metas de descarbonização.
A estimativa de demanda, portanto, aponta uma oportunidade para o setor sucroenergético e para os portos, mas ainda está condicionada às regras, aos investimentos e à adoção efetiva do combustível.
Com informações do Tempo de Safra Portal.






