A China habilitou quatro novos frigoríficos brasileiros para exportação de carnes, ampliando o número de fornecedores autorizados a atender seu mercado. A decisão, divulgada na terça-feira, 29 de setembro, contempla duas unidades de carne bovina e duas de frango, distribuídas por Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Os registros concedidos pela Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC) têm validade de cinco anos. As informações são do site Globo Rural.
No segmento bovino, receberam autorização a Supremo Carnes, localizada em Carlos Chagas, em Minas Gerais, e a Masterboi, em Canhotinho, no Agreste pernambucano. Para carne de frango, foram habilitadas a Avivar Alimentos, de São Sebastião do Oeste, também em Minas Gerais, e a Cooperativa Dália Alimentos, de Arroio do Meio, no Rio Grande do Sul.
As quatro unidades integravam uma lista de 17 estabelecimentos apresentada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) ao governo chinês em maio. As auditorias por vídeo realizadas na semana anterior abrangeram 11 plantas de carne bovina, três de carne suína e três de frango.
A atualização do cadastro ocorreu três dias após o encerramento de uma missão de autoridades sanitárias chinesas ao Brasil. A visita avaliou o sistema brasileiro de controle sanitário e incluiu estabelecimentos das cadeias de bovinos, suínos e aves. A habilitação permite que as unidades aprovadas participem das operações comerciais, respeitadas as exigências de cada produto e as condições de importação.
Sobretaxa exige atenção ao calendário das cargas
Para a carne bovina, as autorizações chegam em um momento de restrição comercial. A China anunciou que começará a cobrar uma tarifa adicional de 55% sobre os carregamentos brasileiros a partir de 1º de outubro, após o país atingir sua cota anual de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas.
A cobrança adicional se soma à tarifa de importação de 12%. Assim, a habilitação sanitária das duas unidades bovinas não elimina o custo imposto aos volumes que ultrapassarem a cota. A medida exige que exportadores e compradores reavaliem a viabilidade das operações previstas para o restante de 2026.
Para a logística marítima, o calendário de chegada das cargas ganha relevância. Conforme a cobertura sobre a medida, os carregamentos que desembarcarem nos portos chineses estarão sujeitos à sobretaxa. Nesse cenário, o planejamento de novas operações precisa considerar o trânsito marítimo e as condições tarifárias no destino, além da disponibilidade de transporte refrigerado.
O governo brasileiro busca negociar alternativas, incluindo o aproveitamento de cotas não utilizadas por outros fornecedores. O Uruguai concordou em apresentar à China um pedido relacionado ao seu saldo, mas a autorização depende das autoridades chinesas. As novas habilitações ampliam as possibilidades de fornecimento brasileiro, enquanto as regras comerciais continuam determinando as condições para transformar esse acesso em embarques.






