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Falta de dados sobre emissões dificulta descarbonização dos portos brasileiros

Reduzir emissões exige conhecer sua origem e dimensão. Nos portos brasileiros, essa etapa ainda representa um desafio: diagnóstico da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), em parceria com o Ministério de Portos e Aeroportos e a cooperação alemã para o desenvolvimento sustentável, identificou que 81% dos portos públicos consultados não possuíam inventário de gases de efeito estufa. O relatório é de dezembro de 2023.

O percentual, retomado em reportagem de A Tribuna, corresponde aos participantes daquele levantamento, e não a uma medição atualizada de todo o sistema portuário. Entre os terminais pesquisados, incluindo instalações privadas e arrendadas, 65% declararam possuir inventário.

A ferramenta contabiliza emissões diretas das operações, aquelas associadas à energia adquirida e outras emissões indiretas, conforme a abrangência adotada. No ambiente portuário, isso pode incluir atividades de embarcações de terceiros.

Dificuldades

O levantamento aponta dificuldades de coleta de dados, falta de capacitação, equipes insuficientes e restrições financeiras entre os obstáculos à elaboração dos inventários.

A ausência dessas informações também dificulta a definição de metas de redução. Sem uma referência inicial, torna-se mais difícil acompanhar resultados e avaliar a contribuição de cada medida para a descarbonização das operações.

Na prática, essa lacuna afeta a qualidade das decisões de investimento. A escolha entre substituir equipamentos, reduzir o consumo de combustível ou modificar processos ganha precisão quando a administração conhece as principais fontes de emissão. O inventário permite estabelecer prioridades e comparar o desempenho ao longo do tempo.

Há ainda um desafio de articulação. Autoridades portuárias, operadores e empresas de transporte precisam compartilhar informações para que o diagnóstico alcance as diferentes atividades que compõem a operação. Dados dispersos ou calculados com critérios distintos dificultam essa visão conjunta.

Para a economia do mar, avançar nessa agenda significa incorporar a gestão de emissões à rotina dos portos. O valor do inventário está em transformar os dados levantados em decisões, metas e resultados verificáveis.

Com informações do jornal A Tribuna, Informativo dos Portos e Governo Federal.

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