O Brasil deverá receber a primeira fábrica do mundo dedicada à produção em larga escala de pele de tilápia para uso médico. A unidade será instalada em Jaguaribara, no interior do Ceará, com investimento inicial de R$ 52 milhões.
O material é utilizado na fabricação de curativos biológicos destinados ao tratamento de queimaduras de segundo e terceiro graus. Após passar por etapas de limpeza, esterilização e conservação, a pele do peixe pode ser aplicada sobre a área lesionada, auxiliando na recuperação do tecido.
Atualmente, o processamento é realizado em escala laboratorial pela Universidade Federal do Ceará (UFC), responsável por preparar cerca de 600 peles por mês. A nova estrutura permitirá ampliar significativamente a capacidade de produção e levar a tecnologia a um patamar industrial.
Produção
No primeiro ano de funcionamento, a fábrica deverá produzir aproximadamente 4,3 mil unidades por dia. Em uma segunda etapa, a capacidade poderá chegar a 12 mil curativos diários, volume que abre a possibilidade de atendimento a hospitais de diferentes regiões do país.
A construção está prevista para começar em outubro, com prazo estimado de 18 meses para conclusão. Além da estrutura industrial, o empreendimento deverá organizar uma cadeia de fornecimento capaz de recolher, transportar e processar adequadamente a matéria-prima.
O projeto também representa uma nova possibilidade de aproveitamento econômico dos resíduos da piscicultura. Uma parte da tilápia que normalmente teria baixo valor comercial poderá ser transformada em um produto médico de maior valor agregado, conectando aquicultura, pesquisa científica, indústria e saúde.






