Representantes do setor produtivo do Rio Grande do Sul querem aproveitar a futura concessão do sistema de acesso aquaviário para ampliar a capacidade operacional do Porto de Rio Grande. Durante audiência pública realizada nesta semana, empresas e entidades defenderam que o contrato inclua obras de aprofundamento dos canais utilizados pelos navios que chegam ao complexo.
A modelagem atualmente colocada em discussão considera calado de 15 metros nos canais externo e interno e de 9,45 metros no acesso ao Porto Novo. A proposta apresentada por representantes empresariais é elevar esses parâmetros para 18 metros nos dois primeiros trechos e para 12,5 metros no Porto Novo.
O aumento do calado é uma questão diretamente relacionada à escala dos navios. Quanto maior a profundidade disponível com segurança, maior pode ser o porte e a quantidade de carga transportada pelas embarcações. Para um complexo que atende operações de longo curso e é uma das principais portas de saída da produção gaúcha, a diferença interfere em custos de frete e competitividade logística.
Consulta sobre a concessão
O pleito surge durante a consulta sobre a concessão do Sistema Aquaviário Integrado dos Portos do Sul e Lagoa Mirim (Saip Sul-Mirim). A modelagem pretende transferir à iniciativa privada atividades relacionadas à manutenção e exploração da infraestrutura de acesso aquaviário, incluindo dragagem, sinalização e condições permanentes para a navegação.
No caso específico do Porto Novo, a Portos RS já trabalha nos estudos ambientais necessários para viabilizar o aprofundamento para 12,5 metros. As entidades defendem que esse avanço seja compatibilizado com a concessão para evitar que um dos trechos do complexo permaneça com restrições inferiores às demandas futuras dos terminais.
A discussão ocorre em um porto que movimentou cerca de 42,6 milhões de toneladas em 2024, volume equivalente a aproximadamente 86% das cargas operadas pelos terminais portuários gaúchos naquele ano. Rio Grande possui acesso direto ao Oceano Atlântico e concentra tanto operações de cabotagem quanto de comércio exterior.
O pedido ainda integra a fase de discussão da modelagem e não significa que os novos calados estejam aprovados. A audiência, porém, evidencia uma pressão comum aos grandes portos: acompanhar o aumento da escala das embarcações sem transformar os acessos marítimos em limitadores da capacidade instalada nos terminais.






