O Porto do Itaqui, no Maranhão, avança na expansão da infraestrutura destinada à entrada de fertilizantes no Brasil. A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) aprovou a publicação do edital para o arrendamento da área IQI16, terminal que deverá receber aproximadamente R$ 147 milhões em investimentos privados.
Localizada dentro da poligonal do porto maranhense, a área possui cerca de 21,8 mil metros quadrados e será destinada principalmente à movimentação e armazenagem de granéis sólidos minerais, com foco em fertilizantes. O contrato terá duração de 25 anos.
O projeto estabelece capacidade estática mínima de armazenagem de 70 mil toneladas. Pelas projeções utilizadas na modelagem, o terminal poderá atingir movimentação próxima de 740 mil toneladas de fertilizantes por ano a partir do sétimo ano do contrato. O valor global estimado do arrendamento chega a aproximadamente R$ 1,76 bilhão.
Regras de concorrência
Um dos diferenciais do leilão está nas regras de concorrência. Empresas que já possuem participação no mercado de movimentação de fertilizantes no Complexo Portuário do Itaqui somente poderão ser declaradas vencedoras caso não exista proposta válida apresentada por um novo participante. A restrição foi incorporada pela Antaq para reduzir riscos de concentração do mercado.
A expansão ocorre em um porto que ocupa posição estratégica nas duas pontas da cadeia do agronegócio. Itaqui funciona tanto como porta de entrada de fertilizantes utilizados nas lavouras quanto como corredor de saída de soja e milho produzidos principalmente no Matopiba e no Centro-Oeste. O complexo integra o Arco Norte, que já responde por parcela relevante das exportações agrícolas brasileiras.
A conexão ferroviária é um dos fatores que ampliam essa influência. O porto está ligado à Estrada de Ferro Carajás, à Ferrovia Norte-Sul e à malha da Transnordestina, permitindo que insumos desembarcados no litoral maranhense avancem para diferentes regiões produtoras e que cargas agrícolas façam o percurso inverso em direção ao mercado internacional.
Com o IQI16, Itaqui deverá aumentar a capacidade de uma operação diretamente ligada à competitividade agrícola brasileira. O terminal acrescenta infraestrutura justamente a uma cadeia na qual custos portuários, disponibilidade de armazenagem e eficiência no desembarque dos insumos repercutem até o preço final da produção no campo.






