Duas boias de monitoramento oceânico da empresa portuguesa blueOASIS chegaram a Rio Grande no início de outubro para uma campanha de medições vinculada ao Aura Sul Wind, projeto de demonstração de energia eólica flutuante em alto-mar liderado pela JB Energy. Uma terceira unidade deverá chegar nos próximos meses. A instalação dos equipamentos no mar está prevista para o início de 2027.
A chegada marca uma etapa de preparação para conhecer melhor as condições da região onde o projeto será desenvolvido. Os equipamentos vão coletar informações sobre ondas e sons debaixo d’água, contribuindo para os estudos de engenharia, o conhecimento sobre a vida marinha e a avaliação ambiental do empreendimento.
A JB Energy é uma empresa japonesa com sede no Brasil, no Oceantec, parque científico e tecnológico da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), em Rio Grande. O Aura Sul Wind prevê instalar uma turbina sobre uma plataforma flutuante a cerca de 65 quilômetros da costa, com o objetivo de demonstrar a tecnologia e gerar conhecimento para o desenvolvimento da energia eólica em alto-mar no Brasil.
Cooperação
A cooperação com a blueOASIS prevê três sistemas de monitoramento Hydrotwin HT-Spotter, com instalação planejada a aproximadamente 35, 50 e 65 quilômetros da costa. A distribuição permitirá observar diferenças entre as condições encontradas ao longo desse percurso, ampliando o conhecimento sobre a área de estudo.
Além das medições de ondas, os sistemas incorporam sensores acústicos para registrar sons subaquáticos. A análise desses registros, apoiada por inteligência artificial, pode ajudar a identificar sinais associados a mamíferos marinhos e outras fontes sonoras, incluindo atividades humanas. Esse acompanhamento contribuirá para caracterizar o ambiente antes da instalação da estrutura de geração de energia.
O CEO da blueOASIS, Dr. Guilherme Beleza Vaz, esteve no Brasil para consolidar a colaboração e participar do Brazil Windpower. Em 26 de outubro, em São Paulo, ele e o Dr. Rodolfo Gonçalves, CEO da JB Energy, realizaram a cerimônia de assinatura da parceria.
“A experiência em monitoramento oceânico e em pesquisas de energia eólica em alto-mar na Europa mostra a importância de contar com dados ambientais confiáveis desde as primeiras etapas. Queremos trazer esse conhecimento e a tecnologia Hydrotwin para contribuir com os estudos do Aura Sul Wind e com a formação de uma base de conhecimento no Brasil”, afirma Guilherme Beleza Vaz.
A preparação da campanha também mobiliza instituições de Rio Grande. Em reunião realizada em 11 de setembro na Portos-RS, foram discutidos os pontos de instalação, os sistemas de fixação das boias ao fundo do mar, a manutenção e as condições necessárias para realizar as operações com segurança.
Participaram das discussões a professora Ella Pereira, do SiMCosta/FURG, Henrique Ilha, diretor da Portos-RS, Dr. Rodolfo Gonçalves, Prof. Adriane Petry, da UFRGS, João Pedro Krahe, da ARVUT, e representantes da Marinha do Brasil. O planejamento envolve a preparação da documentação e a avaliação dos meios de apoio à instalação, considerando as condições do mar e os procedimentos de segurança da navegação.

“Na FURG, já utilizamos observações do oceano e séries históricas para estudar as condições da região e alimentar modelos. A integração de novas medições amplia as possibilidades de pesquisa e aproxima o conhecimento produzido na universidade das necessidades de quem trabalha no mar”, explica a professora Ella Pereira.
A previsão é integrar observações oceanográficas, após controle de qualidade, ao Sistema de Monitoramento da Costa Brasileira, o SiMCosta, com participação da FURG. O objetivo é disponibilizar informações a pesquisadores, instituições públicas e outros interessados. Os registros acústicos terão procedimentos específicos de tratamento e de acesso.
Os dados também contribuirão para os estudos ambientais relacionados à etapa de Licença Prévia do projeto, cujo plano de trabalho foi protocolado junto ao IBAMA no início de novembro, segundo a JB Energy. As medições ajudarão a descrever as condições existentes na área e a fundamentar as análises do empreendimento.
Ao reunir a universidade, a autoridade portuária, a indústria e uma empresa de base tecnológica portuguesa, a campanha conecta o ecossistema de inovação do Rio Grande à cooperação internacional. O conhecimento produzido poderá apoiar pesquisas e outras atividades ligadas ao mar, além dos estudos necessários ao próprio Aura Sul Wind.
Próximos passos
A preparação inclui a chegada da terceira boia, a conclusão dos procedimentos técnicos e administrativos e a organização da operação de instalação, prevista para o início de 2027. A data será definida conforme as autorizações aplicáveis, a disponibilidade dos meios de apoio e as condições meteorológicas e do mar.






