A Prefeitura de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, passou a pagar R$ 10 por cada peixe-leão capturado e entregue à Colônia de Pescadores Z-22.
A medida faz parte de uma estratégia emergencial para conter o avanço da espécie invasora no litoral do município.
Segundo informações da Folha de S.Paulo, somente em agosto, primeiro mês de funcionamento do incentivo, 442 exemplares foram entregues ao programa.
Encaminhamento
Os animais são encaminhados à Universidade Federal do Sul da Bahia, onde passam por triagem, biometria e estudos sobre alimentação, habitat e disseminação.
Originário da região do Indo-Pacífico, o peixe-leão não possui predadores naturais no litoral brasileiro.
Sua presença preocupa pesquisadores porque a espécie apresenta elevada capacidade reprodutiva e se alimenta de peixes e crustáceos nativos, com possíveis impactos sobre a biodiversidade, a pesca artesanal e o turismo de mergulho.
O animal também possui espinhos capazes de inocular toxinas. Por isso, a captura exige treinamento e equipamentos adequados.
No Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora, a retirada é restrita a profissionais capacitados e autorizados.
O pagamento por exemplar foi definido como uma medida temporária. Em uma segunda etapa, a prefeitura pretende estruturar uma cadeia de beneficiamento, comercialização e consumo do peixe-leão.
A proposta é criar uma fonte de renda que mantenha o esforço de retirada sem depender permanentemente de recursos públicos.
Conservação e economia
A experiência aproxima conservação ambiental e atividade econômica, mas exige controle sanitário, rastreabilidade e orientação aos consumidores.
Como a erradicação regional é considerada improvável, a viabilidade da estratégia dependerá da capacidade de manter a captura em áreas prioritárias sem colocar pescadores e mergulhadores em risco.






