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Cabos submarinos exigem nova governança internacional de segurança

A União Internacional de Telecomunicações e o Comitê Internacional de Proteção de Cabos divulgaram recentemente um conjunto de recomendações para aumentar a resiliência da rede mundial de cabos submarinos. Instaladas no leito oceânico, essas estruturas transportam cerca de 99% do tráfego internacional de internet.

O relatório foi produzido pelo International Advisory Body for Submarine Cable Resilience, grupo formado por representantes de governos, empresas, órgãos reguladores e especialistas. O documento procura reduzir a fragmentação das normas e melhorar a coordenação entre os países responsáveis por autorizar, proteger e reparar os sistemas.

As recomendações estão organizadas em três eixos: implantação e reparo mais rápidos, identificação e redução de riscos e maior diversidade de rotas. O grupo defende procedimentos de licenciamento mais eficientes, planos nacionais de contingência e canais permanentes de cooperação entre autoridades públicas e operadores privados.

Tensões geopolíticas

Embora a maior parte das falhas seja provocada acidentalmente por âncoras, pesca e fenômenos naturais, episódios recentes ampliaram a preocupação com sabotagem e interferência deliberada. O crescimento das tensões geopolíticas também transformou os cabos em ativos de segurança nacional.

O reparo é uma das etapas mais sensíveis. Poucos navios são equipados para localizar, retirar e reconectar cabos em alto-mar. Barreiras alfandegárias, autorizações demoradas e restrições de acesso podem prolongar interrupções, especialmente em países atendidos por poucas rotas.

A diversificação geográfica é outra recomendação central. Países e regiões dependentes de um número reduzido de cabos permanecem mais vulneráveis a falhas simultâneas. Novas rotas, pontos de aterragem alternativos e capacidade de redirecionamento do tráfego podem reduzir esse risco.

O Brasil possui posição relevante nas conexões entre América do Sul, América do Norte, Europa e África. A proteção dessa infraestrutura exige coordenação entre telecomunicações, defesa, autoridades marítimas e operadores. Sem uma governança específica, o país pode ampliar o número de cabos e continuar vulnerável nos pontos de aterragem, nos processos de manutenção e na capacidade de responder rapidamente a incidentes.

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