Home / DESTAQUE PRINCIPAL / União Europeia planeja cabo submarino entre Groenlândia e Europa para reforçar segurança digital

União Europeia planeja cabo submarino entre Groenlândia e Europa para reforçar segurança digital

A União Europeia prepara uma ligação por cabo submarino entre a Groenlândia e o continente europeu para ampliar a segurança das comunicações. Segundo um projeto de estratégia para o Ártico consultado pela Euronews, o plano também considera uma extensão pelo Canadá até o Japão e a Coreia do Sul. A iniciativa busca diversificar as rotas internacionais de dados e reduzir a exposição a interrupções.

A proposta surge em meio à preocupação europeia com sabotagem de infraestruturas submarinas e interferências na navegação por satélite. Localizada entre a Europa e a América do Norte, a Groenlândia ocupa uma posição estratégica para uma rede de conexão entre continentes. O documento prevê ainda um Centro de Cabos Árticos, com participação de países da União Europeia, Noruega e Islândia, para monitoramento, proteção e apoio a reparos.

A dimensão econômica dessa infraestrutura é expressiva. De acordo com a Comissão Europeia, os cabos submarinos transportam 99% do tráfego intercontinental de internet. Por essas redes passam informações que sustentam serviços financeiros, operações empresariais e comunicações cotidianas. A proteção física das conexões integra, portanto, a agenda de segurança digital do bloco.

Plano europeu

Para enfrentar essas vulnerabilidades, o plano europeu de segurança dos cabos contempla prevenção, detecção de incidentes, resposta e reparação. Entre as medidas está a criação de uma reserva de embarcações especializadas, destinada a reduzir o tempo necessário para recuperar ligações danificadas. Em junho de 2026, a Comissão também anunciou apoio aos primeiros centros regionais de cabos e uma chamada de €40 milhões para capacidade de reparo.

Nesse contexto, o projeto ártico poderá ampliar a demanda por serviços da Economia do Mar. Sua eventual implantação envolverá atividades como estudos do ambiente submarino, instalação de cabos e manutenção. A análise econômica precisa considerar toda a vida útil da rede: além de construir a conexão, será necessário garantir condições para inspecioná-la e restaurá-la quando houver falhas.

O avanço, contudo, depende de definições. O documento consultado pela Euronews não estabelece rota final, orçamento total ou cronograma de construção. A execução exigirá financiamento, viabilidade comercial e cooperação internacional. Os €107 milhões já reservados pela União Europeia para conectividade envolvendo a Groenlândia não correspondem ao custo definido dessa nova rede.

A proposta evidencia como a autonomia digital depende também da capacidade de operar no mar. Novas conexões podem oferecer caminhos alternativos para os dados, mas sua segurança exige embarcações, profissionais e estrutura de manutenção disponíveis ao longo do tempo.

Com informações da Euronews, Shaping Europe’s digital future e Comissão Europeia.

Marcado: