Barcos usados na pesca de emalhe e de arrasto estão recebendo guinchos elétricos em um projeto que busca reduzir o ruído durante o trabalho a bordo e avaliar alternativas para diminuir as emissões da atividade. A iniciativa é desenvolvida pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Uma das etapas ocorreu em Torres, no Rio Grande do Sul. O equipamento foi instalado na embarcação do pescador Benjamin Alves, participante dos testes. Segundo o ministério, a redução do ruído durante a operação já foi percebida a bordo. O projeto segue avaliando a viabilidade do equipamento em diferentes condições de pesca.
O guincho é responsável por recolher equipamentos usados na captura. Trata-se, portanto, de uma peça ligada diretamente ao ritmo do trabalho. Uma solução criada para essa função precisa suportar o uso diário e ser compatível com as características de cada embarcação. Por isso, os pescadores participam da instalação e da avaliação da tecnologia.
Realidade econômica
O projeto também leva em conta a realidade econômica das comunidades pesqueiras. Mesmo que o equipamento funcione bem durante os testes, sua adoção em outras embarcações dependerá do custo de aquisição, da disponibilidade de manutenção e das adaptações necessárias a bordo. A experiência em Torres poderá ajudar a identificar essas necessidades antes de uma eventual expansão.
Há ainda uma diferença entre reduzir o ruído de um guincho e diminuir as emissões totais de um barco. O ministério apresenta ambos como objetivos da iniciativa, mas não divulgou dados que permitam calcular, por enquanto, a economia de combustível ou a redução de emissões alcançada.
Para a economia do mar, o projeto interessa porque testa uma aplicação específica da eletrificação em uma atividade com embarcações de diferentes portes e condições de operação. O resultado mais relevante será saber se o equipamento melhora o trabalho dos pescadores e pode ser mantido em funcionamento fora do ambiente de teste.






