A China deve voltar a intensificar as compras de carne bovina brasileira entre o fim de setembro e o início de outubro. A expectativa é que os produtos sejam embarcados com antecedência suficiente para chegar ao país asiático a partir de janeiro, quando começa a valer a cota de importação de 2027.
A projeção foi apresentada recentemente pelo analista de pecuária da Datagro, Guilherme Jank, durante o 6º Fórum Pecuária Brasil, realizado em São Paulo. O movimento é esperado após a desaceleração das compras chinesas provocada pelo preenchimento do limite estabelecido para 2026.
A cota brasileira neste ano é de 1,106 milhão de toneladas. Dentro desse volume, a carne bovina entra na China com a tarifa normal de importação, de 12%. As cargas que ultrapassam o limite ficam sujeitas a uma tarifa adicional de 55%, o que reduz a competitividade do produto.
Segundo a Datagro, o volume destinado ao Brasil foi praticamente preenchido em sete meses. A avaliação do mercado é de que o limite já foi atingido quando são consideradas as cargas desembarcadas e aquelas que ainda estão em trânsito.
Pelas regras chinesas, a carne é contabilizada na cota no momento em que entra no país, e não na data do embarque. Isso permite que frigoríficos, exportadores e operadores logísticos negociem agora cargas com chegada prevista para janeiro de 2027.
No próximo ano, a cota destinada à carne brasileira subirá para 1,128 milhão de toneladas, avanço de 22 mil toneladas em relação ao limite de 2026.
Importações recuaram em agosto
A redução das compras ficou mais evidente em agosto. Naquele mês, a China importou 18,9 mil toneladas de carne bovina brasileira, queda de 88,2% em comparação com o mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes.
A desaceleração também afetou o preço do boi gordo no Brasil. De acordo com a Datagro, a arroba chegou à faixa de R$ 325 após a diminuição da demanda chinesa, mas recuperou aproximadamente R$ 25 em menos de duas semanas. Em 15 de setembro, o indicador da consultoria em São Paulo fechou em R$ 352,37 por arroba.
Os contratos futuros negociados na B3 permaneceram acima do mercado físico. Os vencimentos para outubro, novembro, dezembro e janeiro de 2027 encerraram entre R$ 375,85 e R$ 386,15 por arroba.
Apesar da importância da China, a Datagro avalia que o comportamento dos preços também dependerá de fatores como o consumo interno, o câmbio e a demanda de outros mercados compradores.
Nova cota deve movimentar a logística refrigerada
A preparação dos embarques para 2027 deve voltar a movimentar frigoríficos, transportadores, terminais portuários e serviços de navegação. Como a carne bovina percorre longas distâncias em contêineres refrigerados, o planejamento precisa considerar disponibilidade de equipamentos, conexões elétricas nos terminais, escalas dos navios e tempo de trânsito até os portos chineses.
A retomada esperada entre setembro e outubro mostra como as regras comerciais no destino interferem diretamente no calendário da logística marítima brasileira. Embora a cota de 2027 só entre em vigor em janeiro, parte da operação necessária para atendê-la começa meses antes, ainda nos frigoríficos e portos de origem.






