A Casa Branca está pressionando o Congresso dos Estados Unidos para permitir que parte da nova frota da Marinha seja construída em estaleiros estrangeiros. A proposta contempla dois navios de guerra e duas embarcações auxiliares não combatentes.
De acordo com informações do The Maritime Executive, a iniciativa busca ampliar a capacidade naval dos EUA diante do acúmulo de encomendas e dos atrasos enfrentados pelos estaleiros nacionais. Embora o governo não tenha indicado onde os navios seriam produzidos, a Coreia do Sul aparece como uma das principais candidatas.
Em junho, durante um encontro com o presidente sul-coreano Lee Jae-myung, Donald Trump teria perguntado se o país seria capaz de construir rapidamente dez navios de guerra norte-americanos. A conversa ocorreu à margem da cúpula do G7, na França, segundo informações da agência Yonhap.
Proibição está em vigor desde a década de 1960
A posição do governo foi apresentada pelo Escritório de Administração e Orçamento da Casa Branca, o OMB, em resposta ao projeto da Lei de Autorização de Defesa Nacional para o ano fiscal de 2027.
O texto aprovado pela Câmara dos Representantes em 22 de julho mantém a proibição de utilizar estaleiros estrangeiros na construção de navios para a Marinha dos EUA.
As restrições foram introduzidas pelo Congresso na década de 1960. Em 1965, a legislação passou a impedir o uso de recursos públicos na produção de componentes de navios de guerra em outros países. Três anos depois, a proibição foi ampliada para abranger a construção integral dessas embarcações.
A medida é historicamente defendida como uma forma de proteger a segurança nacional e preservar a indústria naval norte-americana.
Governo quer ampliar a participação de parceiros internacionais
Para a Casa Branca, a proibição reduz a capacidade dos Estados Unidos de aproveitar tecnologias e competências disponíveis em estaleiros estrangeiros. O governo sustenta que a cooperação internacional poderia acelerar a expansão da frota e, ao mesmo tempo, atrair novos investimentos para a indústria naval do país.
A Coreia do Sul já se comprometeu a investir US$ 150 bilhões no setor naval norte-americano por meio da iniciativa denominada Make American Shipbuilding Great Again. Grupos sul-coreanos também vêm formando parcerias e adquirindo ativos nos Estados Unidos.
O OMB cita como referência o chamado “Modelo Finlandês”, utilizado pela Guarda Costeira norte-americana em seu programa de novos quebra-gelos para o Ártico.
Nesse formato, as primeiras embarcações são construídas na Finlândia, enquanto o conhecimento técnico adquirido é transferido para a produção das unidades seguintes nos Estados Unidos. Parte dos navios será feita pelo estaleiro Bollinger, na Louisiana, e por uma nova unidade da Davie no Texas.
Estaleiros sul-coreanos já foram consultados
A Marinha dos Estados Unidos teria solicitado informações aos principais estaleiros da Coreia do Sul sobre a capacidade de construir destróieres e navios-tanque em prazos reduzidos. A consulta incluiu dados sobre preços, cronogramas de entrega e disponibilidade industrial.
O levantamento é visto como uma preparação para possíveis encomendas relacionadas ao plano de expansão da frota defendido pelo governo Trump.
Para os estaleiros sul-coreanos, a demanda norte-americana representa uma oportunidade de ampliar sua presença em um dos maiores mercados de defesa do mundo. A concretização dos contratos, no entanto, dependerá da flexibilização das restrições pelo Congresso dos Estados Unidos.






