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Florestas submersas em Moçambique se transformam em refúgios para a vida marinha

Antigas florestas costeiras ganharam uma nova função sob o oceano Índico: abrigar a vida marinha. No arquipélago de Bazaruto, em Moçambique, pesquisadores identificaram depósitos de turfa originados de ambientes terrestres que, após serem cobertos pelo mar, passaram a sustentar comunidades de organismos aquáticos. O estudo foi publicado em 12 de outubro na revista Scientific Reports.

A turfa é formada pelo acúmulo de matéria vegetal parcialmente decomposta. A datação por radiocarbono indicou que as amostras analisadas se formaram entre aproximadamente 300 e 5 mil anos atrás.

Com a elevação do nível do mar e as transformações da costa, esses antigos solos florestais ficaram submersos e deram origem aos chamados recifes de turfa.

Algas e plantas

Embora não apresentem corais vivos, as estruturas oferecem superfícies para o crescimento de algas e plantas marinhas. Suas fendas abrigam lagostas, ostras, cracas e peixes juvenis.

Nos três recifes de turfa pesquisados, foram registradas entre 26 e 36 espécies de pequenos peixes por local, com diversidade comparável à observada no recife de coral usado na comparação.

 

Localizados entre dois e quatro metros de profundidade, esses ambientes enfrentam variações de temperatura, marés e movimentação de sedimentos.

Tempestades e ciclones podem soterrar, expor ou fragmentar os depósitos, alterando a disponibilidade de abrigo para os animais.

 

Outro resultado envolve o carbono preservado na matéria vegetal: algumas amostras continham até 40% de carbono orgânico em relação ao peso seco.

O dado, porém, não permite calcular o estoque total desses habitats nem afirmar que atualmente retiram carbono da atmosfera. Sua participação no ciclo do carbono ainda exige medições específicas.

Para a conservação marinha, a descoberta amplia a atenção sobre habitats pouco conhecidos. Os pesquisadores defendem sua inclusão em mapas e planos de gestão costeira, especialmente pelo abrigo oferecido a espécies associadas aos recifes.

Sob a perspectiva da economia do mar, os resultados reforçam o valor do mapeamento ambiental para orientar decisões sobre o uso do litoral.

Conhecer onde estão esses refúgios e como funcionam pode ajudar a conciliar atividades costeiras com a proteção dos ambientes que sustentam a biodiversidade.

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