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A FIEB na Economia do Mar

Por Carlos Henrique Passos*

A Bahia vive um momento singular de reconhecimento como potência da economia do mar. Com o maior litoral do Brasil — 1.181 quilômetros —, a Baía de Todos-os-Santos reúne localização estratégica, águas abrigadas e navegabilidade entre as melhores do mundo para a atividade portuária. Salvador foi declarada capital institucional da Amazônia Azul, abrindo à indústria baiana a oportunidade de converter esse potencial em desenvolvimento sustentável e valor agregado.

Esse reconhecimento, porém, só se tornará oportunidade concreta se a Bahia integrar seus ativos portuários, sua base industrial e sua capacidade de inovação. A indústria baiana tem vantagens naturais para liderá-la: o Polo de Camaçari domina energia, química e materiais, enquanto produtores como Oleoplan, Binatural e Acelen podem fornecer combustíveis de menor intensidade de carbono ao setor marítimo — base para uma reindustrialização apoiada em inovação.

A modernização portuária reforça essa vocação. O Tecon Salvador já investiu mais de R$ 1 bilhão e caminha para mais de um milhão de TEUs (sigla do inglês Twenty-foot Equivalent Unit – unidade equivalente a vinte pés) anuais, enquanto Aratu-Candeias e o Terminal de Cotegipe somam quase R$ 2 bilhões. É para acompanhar essa agenda que a FIEB mantém em sua estrutura o Conselho de Portos, instância que reúne empresas e especialistas para identificar as necessidades dessas infraestruturas e propor políticas e ações em favor da atividade portuária e, consequentemente, das indústrias exportadoras no estado.

Ao lado da infraestrutura, a inovação é o segundo pilar dessa estratégia — e nele o Cimatec Mar ocupa posição central. Iniciativa do SENAI Cimatec, voltada às tecnologias do ambiente marinho, conecta pesquisa aplicada às demandas concretas do setor: descarbonização portuária, automação de terminais, biotecnologia marinha, energias renováveis offshore e qualificação especializada. É a ponte entre o conhecimento científico e a competitividade das empresas que operam no mar baiano.

O Governo Federal instituiu, em dezembro de 2025, o Programa Nacional de Descarbonização de Portos e Navegação — marco que oferece à Bahia a chance de antecipar soluções e se posicionar como provedora de tecnologia, não apenas como usuária.

Com US$ 11,6 bilhões exportados em 2025, o maior volume do Nordeste, a Bahia depende de portos eficientes e de soluções de logística e descarbonização. A FIEB renova seu compromisso com a economia do mar e convoca governos, operadores portuários e instituições de pesquisa a construir, juntos, uma economia azul, sinônimo de sustentabilidade e competitividade.

*Presidente da FIEB (Federação das Indústrias do Estado da Bahia).

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