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Entenda como o frete marítimo elevado reduz a competitividade do minério brasileiro na China

O aumento do frete marítimo está reduzindo a competitividade do minério de ferro brasileiro no mercado chinês.

Segundo informações do BE News, o transporte em navios do tipo Capesize entre Brasil e China chegou a aproximadamente US$ 40 por tonelada, o dobro do valor registrado na rota entre Austrália e China.

A diferença é especialmente relevante porque o minério entregue nos portos chineses está sendo negociado perto de US$ 100 por tonelada.

Margens menores

Com o transporte absorvendo uma parcela crescente desse valor, produtoras brasileiras mais expostas ao mercado à vista passam a trabalhar com margens menores.

Estimativas citadas em relatório do Goldman Sachs indicam que entre 50 milhões e 70 milhões de toneladas anuais da produção brasileira podem estar próximas do ponto de equilíbrio nas atuais condições.

Os preços líquidos recebidos pelas mineradoras, descontado o frete, teriam atingido o menor nível desde 2018.

A pressão está relacionada à oferta limitada de navios Capesize e à maior demanda por embarcações.

Entre os fatores estão o crescimento das exportações de bauxita da Guiné, o avanço do projeto de minério de ferro de Simandou e a elevação dos custos de combustível. Tufões no Sudeste Asiático também reduziram a disponibilidade das embarcações ao prolongar algumas viagens.

O déficit de capacidade no segmento é estimado entre 3 milhões e 5 milhões de toneladas mensais. A expectativa é de que o mercado de Capesize continue apertado até pelo menos 2028 ou 2029, uma vez que a entrada de novos navios não deverá acompanhar imediatamente o crescimento da demanda.

A Vale apresenta menor exposição ao movimento porque mantém parte expressiva de seus embarques protegida por contratos de longo prazo.

Segundo as estimativas, entre 90% e 95% dos volumes previstos para 2026 e cerca de 80% dos embarques de 2027 estariam cobertos por acordos desse tipo.

Para o Brasil, o cenário reforça a importância da eficiência logística e da gestão dos contratos de transporte.

A distância até a Ásia é uma desvantagem estrutural diante dos produtores australianos, tornando o custo do frete decisivo para a competitividade do minério nacional.

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