Por José Carlos Lyra de Andrade*
Alagoas sempre teve no mar uma de suas maiores riquezas. Ele está na nossa história, na formação de Maceió, na cultura, no turismo e na identidade do nosso povo. Mas os números mostram que precisamos enxergá-lo também por outra perspectiva: como um ativo estratégico para o desenvolvimento econômico do Estado.
Estudo realizado pelo Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas identificou 11.538 empresas ligadas à economia do mar, distribuídas em seis segmentos. São atividades que geraram cerca de 27,7 mil empregos formais em 2024 e abrangem um universo muito maior do que normalmente imaginamos quando pensamos na relação de Alagoas com o oceano.
É verdade que o turismo ocupa posição de destaque. Os Serviços do Mar concentram cerca de 92% das empresas mapeadas, com forte presença de alimentação, hotelaria, agências de viagens e passeios aquaviários. Essa é uma vocação consolidada, que deve continuar sendo fortalecida.
Mas olhar para a economia do mar significa ir além dela.
Significa compreender uma cadeia diversificada, que envolve manufaturas, logística, petróleo e gás, aquicultura e atividades portuárias. E significa, sobretudo, enxergar novas fronteiras de desenvolvimento.
Alguns números ajudam a dimensionar essa importância. Em 2024, o Porto de Maceió movimentou 1,7 milhão de toneladas de cargas, com destaque para o açúcar a granel. No mesmo período, o transporte marítimo respondeu por 92% das importações e por 99,8% das exportações alagoanas. Ou seja: quando Alagoas se conecta comercialmente com o mundo, essa conexão acontece, predominantemente, pelo mar.
Há ainda cadeias com grande possibilidade de expansão. O Estado registrava 16.262 embarcações em 2024 e produziu aproximadamente 1,99 milhão de quilos de camarão, com destaque também para Arapiraca na carcinicultura. São indicadores que apontam oportunidades para atividades como manutenção de embarcações, processamento de pescados e qualificação profissional. O estudo identifica também novas perspectivas em áreas como biotecnologia marinha, energia offshore, aquicultura e turismo sustentável, além do fortalecimento da logística marítima.
É justamente nesse ponto que os dados ganham importância. Na FIEA, entendemos que conhecer a estrutura da nossa economia é condição para planejar o futuro. Por isso, o Observatório da Indústria mantém esse levantamento atualizado: para transformar informação em inteligência capaz de orientar investimentos, políticas públicas e decisões empresariais.
Alagoas possui vantagens naturais extraordinárias. O desafio é fazer com que elas se convertam cada vez mais em vantagens competitivas.
Isso exige planejamento, infraestrutura, qualificação profissional, inovação, segurança jurídica e sustentabilidade. Exige também articulação entre setor produtivo, poder público, universidades e instituições de pesquisa.
Durante muito tempo, aprendemos a olhar para o mar como parte da paisagem de Alagoas. Precisamos continuar preservando essa riqueza, mas também compreender sua dimensão econômica.
O mar que ajuda a contar a nossa história pode ser, cada vez mais, uma das grandes forças para construir o nosso futuro.
*José Carlos Lyra de Andrade é presidente da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA).





