As empresas Aker BP e Höegh Evi foram selecionadas recentemente para receber € 223 milhões do Fundo de Inovação da União Europeia para desenvolver o projeto Atlas.
A iniciativa pretende conectar indústrias europeias a uma estrutura de transporte e armazenamento permanente de dióxido de carbono na plataforma continental norueguesa.
O modelo prevê reunir o CO₂ capturado em polos próximos às regiões industriais e transportá-lo em navios especializados até uma área de armazenamento no Mar do Norte. A injeção deverá ocorrer por infraestrutura submarina, em um aquífero salino situado a mais de 2 mil metros abaixo do leito marinho.
Capacidade
A capacidade projetada é de 6 milhões de toneladas por ano, com possibilidade de expansão. O empreendimento permanece em desenvolvimento, com decisão final de investimento pretendida para 2028 e primeira injeção prevista para 2031.
O Atlas exemplifica uma cadeia de serviços marítimos associada à gestão de emissões industriais. Sua implantação exige coordenação entre instalações de captura, terminais, navios, sistemas submarinos e operadores dos reservatórios.
Para a Economia do Mar brasileira, o acompanhamento desses projetos oferece referências sobre engenharia, logística e modelos comerciais. A viabilidade de iniciativas semelhantes depende de avaliação geológica, regras para armazenamento, monitoramento e contratos de longo prazo.
A experiência internacional poderá contribuir para esse debate à medida que os projetos avancem e apresentem resultados operacionais.
A organização dessa cadeia exige compatibilidade entre os volumes capturados pelas indústrias e a capacidade disponível para transporte e injeção. Atrasos em qualquer etapa podem afetar o funcionamento do conjunto. Por isso, os contratos precisam distribuir responsabilidades e considerar as condições de continuidade do serviço.
A avaliação ambiental também deve acompanhar todas as fases, incluindo a energia utilizada na captura, a logística marítima e o comportamento do reservatório.
O desempenho de uma solução de armazenamento de carbono depende do balanço de emissões da operação e da permanência do material no local previsto. São aspectos centrais para medir os resultados dos futuros empreendimentos.






