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Mato Grosso do Sul na Economia do Mar

Por Eduardo Riedel*

Mato Grosso do Sul, já foi mar. As formações geológicas existentes no Pantanal Sul-mato-grossense, maior área alagada do mundo, comprovam que o oceano já esteve em nosso território. Apesar dessa lembrança geológica distante, é fato imperativo que não temos um litoral no nosso maravilhoso estado. 

Mas um estado sem litoral pode ter o mar como parte de sua estratégia de desenvolvimento? Em Mato Grosso do Sul, essa conexão orienta uma visão de futuro: transformar nossa posição no interior do continente em vantagem para o Brasil e para a integração sul-americana.

Nossa relação com os oceanos vem de longe. Pelo Rio Paraguai, Corumbá se conectou à Bacia do Prata e ao Atlântico. A ferrovia Noroeste aproximou nosso território de São Paulo e de Santos. Hoje, a Rota Bioceânica amplia essa perspectiva: abrir acesso aos portos do Pacífico, através do Paraguai, da Argentina e do Chile.

Estamos construindo uma rede de possibilidades. As conexões com o Atlântico, a Hidrovia Paraguai–Paraná e o corredor em direção ao Pacífico compõem uma estratégia de diversificação logística. Para quem produz, ter alternativas significa escolher trajetos conforme o destino, a carga e as condições de transporte. Para o país, significa ampliar sua capacidade de competir e enfrentar mudanças no comércio internacional.

É assim que Mato Grosso do Sul se insere na economia do mar: conectando cadeias produtivas do interior às redes portuárias e ao transporte marítimo. Grãos, carnes, celulose e outros produtos dependem dessa articulação para chegar aos mercados globais. A eficiência da viagem começa muito antes do embarque no porto.

A Rota Bioceânica dá escala continental a esse pensamento. Nosso Estado atua como elo entre regiões produtoras brasileiras e países vizinhos, articulando governos, empresas e instituições. Esse trabalho envolve infraestrutura, mas também procedimentos aduaneiros, segurança, conectividade e cooperação. Uma estrada se transforma em corredor econômico quando a circulação de mercadorias e pessoas encontra condições para funcionar.

Queremos que essa integração gere valor ao longo do caminho. Serviços logísticos, armazenagem, processamento industrial, turismo e intercâmbio científico podem ampliar as oportunidades para os municípios. O desafio é preparar empresas e trabalhadores para que o território participe da riqueza que ajuda a movimentar.

Essa agenda se conecta ao modelo de desenvolvimento que temos consolidado: responsabilidade fiscal, investimento em infraestrutura, ambiente favorável aos negócios e compromisso com a sustentabilidade. A atração de investimentos e a expansão das cadeias produtivas ganham força quando acompanhadas de planejamento e integração aos mercados.

A experiência sul-mato-grossense oferece uma contribuição a um projeto nacional: pensar o Brasil a partir das conexões entre seu interior, suas fronteiras e seus portos.

O mar, que já esteve aqui, também faz parte do futuro do Brasil central. Em Mato Grosso do Sul, estamos abrindo caminhos para que esse futuro produza desenvolvimento, oportunidades e uma integração mais profunda com o mundo. Um exemplo do Brasil que dá certo, no interior, do mar de Xaraés, longe das capitais cosmopolitas, mas transformando a vida das pessoas e liderando a agenda de mobilidade social no País.

*Governador de Mato Grosso do Sul.

 

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