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Entenda como a disputa em Ormuz tem pressionado o mercado global de GNL

As travessias pelo estreito caíram cerca de 70% em comparação com o período de trégua entre junho e julho.

A escalada das tensões no Estreito de Ormuz pode provocar mudanças duradouras no mercado internacional de gás natural liquefeito (GNL). A passagem marítima é uma das principais rotas de exportação de energia do Oriente Médio e tornou-se ainda mais estratégica diante das incertezas sobre a segurança da navegação e da infraestrutura energética do Golfo.

Um dos países mais expostos é o Catar, segundo maior exportador mundial de GNL e altamente dependente de Ormuz para escoar sua produção. O cenário se agravou após ataques atingirem duas unidades de liquefação no complexo de Ras Laffan. Segundo a QatarEnergy, os reparos podem levar entre três e cinco anos e reduzir em cerca de 17% a capacidade total de exportação do país.

A crise ocorre justamente quando o Catar planejava ampliar significativamente sua produção por meio do projeto North Field East. Além da recuperação das instalações, o país enfrenta o desafio de garantir condições seguras para a passagem dos navios metaneiros e preservar contratos de longo prazo com compradores, especialmente na Ásia.

Corredores distintos

Um estudo do Center for Strategic and International Studies (CSIS) aponta que um dos cenários possíveis seria a formação de corredores marítimos distintos em Ormuz: um autorizado pelo Irã e outro protegido por forças lideradas pelos Estados Unidos e seus aliados. Uma configuração desse tipo poderia alterar rotas, custos e riscos associados ao transporte de energia na região.

A instabilidade já afeta o tráfego marítimo. Dados da Kpler indicam que as travessias pelo estreito caíram cerca de 70% em comparação com o período de trégua entre junho e julho. Mais de 25 empresas de energia também declararam força maior após ataques a instalações, terminais, refinarias e outras estruturas do setor no Golfo.

Enquanto isso, Estados Unidos e Canadá ampliam sua capacidade de exportação de GNL. Somente projetos norte-americanos em construção devem acrescentar mais de 120 milhões de toneladas por ano à oferta nos próximos cinco anos. Caso a produção do Catar permaneça limitada, essa expansão pode acelerar a diversificação dos fornecedores e modificar os fluxos marítimos globais de GNL.

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