A travessia de uma das rotas marítimas mais desafiadoras do planeta é o tema de “Pelas Águas Geladas da Sibéria 2026”, livro do navegador e escritor Aleixo Belov. A obra apresenta o relato de sua sexta volta ao mundo, marcada pela passagem pelo Ártico Siberiano a bordo do veleiro-escola Fraternidade.
A expedição começou em Salvador, em 12 de abril de 2025, e terminou na capital baiana em 28 de fevereiro de 2026. Foram 322 dias de viagem e quase 28 mil milhas náuticas percorridas. Aos 83 anos, Belov acrescentou à sua trajetória a travessia da Passagem Nordeste, que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico pelo norte da Rússia.
O percurso exigiu navegar entre gelo, temperaturas extremas e uma curta janela anual de degelo. Essas condições fazem da região um ambiente de acesso limitado, no qual o planejamento e o acompanhamento das condições de navegação são determinantes para a continuidade da viagem.
Segundo as informações divulgadas pela Fundação Aleixo Belov, o Fraternidade tornou-se a primeira embarcação das Américas a completar a Passagem Nordeste, alcançando o Estreito de Bering em setembro de 2025. A conquista também fez de Belov o único brasileiro a concluir as duas grandes rotas árticas, somando essa experiência à travessia da Passagem Noroeste, pelo norte do Canadá.
Memória de uma viagem pelos extremos do planeta
Ao transformar a expedição em livro, Belov compartilha com os leitores uma experiência que ultrapassa os números da viagem. O relato aproxima o público das dificuldades de navegar em águas polares e registra uma etapa singular de sua relação com o mar.
A publicação também contribui para preservar a memória da navegação brasileira. Experiências vividas a bordo passam a integrar um registro acessível a leitores, estudantes e interessados em expedições marítimas, ampliando o alcance da viagem para além de sua tripulação.
O livro teve seu pré-lançamento em 7 de outubro, durante a primeira Feira Literária de Cultura Oceânica (FLICO), no Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador. A obra se soma às iniciativas de valorização da cultura oceânica desenvolvidas pela Fundação Aleixo Belov e pelo Museu do Mar que leva o nome do navegador.






