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Países latino-americanos ampliam cooperação para estudar mudanças climáticas no Oceano Austral

Representantes de programas antárticos latino-americanos se reuniram na segunda semana de setembro para discutir os efeitos da acidificação oceânica e das mudanças climáticas no Oceano Austral. As informações são da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM).

O encontro virtual foi promovido pelo Instituto Oceanográfico e Antártico da Armada do Equador e contou com a participação do Programa Antártico Brasileiro, o Proantar.

O webinar reuniu pesquisadores, gestores de programas antárticos, representantes do setor produtivo e responsáveis pela formulação de políticas públicas.

Uso da ciência

A programação abordou o uso da ciência no monitoramento ambiental e na tomada de decisões relacionadas às transformações observadas na Antártica.

A iniciativa dá continuidade às recomendações aprovadas durante a 26ª Reunião de Administradores de Programas Antárticos Latino-Americanos.

Um dos objetivos é integrar as capacidades científicas existentes na região para estabelecer parâmetros de referência, acompanhar as alterações químicas do oceano e ampliar os experimentos biológicos realizados em ambientes antárticos.

A acidificação acontece quando o oceano absorve parte do dióxido de carbono presente na atmosfera. O processo modifica a composição química da água e pode afetar organismos marinhos, cadeias alimentares e atividades econômicas que dependem dos recursos oceânicos.

Brasil apresenta experiência de mais de 25 anos

A participação brasileira foi conduzida pela Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e pelo pesquisador Rodrigo Kerr.

O grupo apresentou as principais linhas de investigação do país e sua capacidade de observação das mudanças climáticas no Oceano Austral.

O Brasil mantém pesquisas relacionadas ao tema há mais de 25 anos. Parte dos dados foi produzida pelo Grupo de Oceanografia de Altas Latitudes, ligado à Universidade Federal do Rio Grande, que construiu uma série histórica sobre as condições da região.

Outro trabalho em andamento é o projeto PRO-SAMBA, voltado ao estudo de processos oceanográficos em áreas consideradas pontos críticos das mudanças climáticas. A pesquisa acompanha aspectos físicos e biogeoquímicos no entorno da Península Antártica.

O encontro também buscou fortalecer o Grupo Regional de Observação de Acidificação Oceânica e identificar novas oportunidades de cooperação entre os países.

O compartilhamento de dados, equipamentos e experiências pode ampliar a cobertura das pesquisas e melhorar a compreensão de fenômenos que ultrapassam fronteiras nacionais.

As mudanças registradas no Oceano Austral influenciam a circulação oceânica, o armazenamento de carbono e o equilíbrio climático do planeta.

A articulação regional ajuda a transformar observações científicas de longo prazo em informações úteis para políticas ambientais e para o planejamento de atividades econômicas relacionadas ao mar.

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