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Petrobras fecha contrato de 20 anos para importar GNL dos EUA

A Petrobras assinou um contrato de longo prazo com a norte-americana Sempra Infrastructure para a compra de 800 mil toneladas anuais de Gás Natural Liquefeito (GNL). Com duração de 20 anos, o acordo amplia a presença da estatal brasileira no mercado internacional de gás e busca reforçar a segurança do abastecimento no país.

O combustível será fornecido a partir da segunda fase do terminal de Port Arthur, em construção no estado do Texas, nos Estados Unidos. O empreendimento está localizado próximo ao Golfo do México e terá acesso às principais áreas produtoras de gás natural norte-americanas.

Segundo a Sempra Infrastructure, o projeto Port Arthur LNG Phase 2 contará com duas unidades de liquefação, com capacidade conjunta para produzir aproximadamente 13 milhões de toneladas de GNL por ano. A entrada em operação comercial está prevista para 2030 e 2031.

Com as duas fases concluídas, a capacidade total do complexo poderá alcançar 26 milhões de toneladas anuais. A primeira etapa também está em construção e deve iniciar suas operações entre o fim de 2027 e 2028.

Contrato amplia segurança e flexibilidade no fornecimento

O acordo foi assinado no fim de agosto e anunciado pelas empresas em setembro. Para a Petrobras, a contratação de volumes por um período prolongado contribui para reduzir a exposição às oscilações do mercado de curto prazo e aumenta a flexibilidade no atendimento aos clientes brasileiros.

A companhia utiliza o GNL importado para complementar a oferta nacional, especialmente em períodos de maior demanda ou de menor geração hidrelétrica, quando cresce o consumo de gás pelas usinas termelétricas. Após chegar ao Brasil em navios especializados, o combustível passa por terminais de regaseificação antes de ser enviado à malha de gasodutos.

A Petrobras opera terminais de GNL na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e na Bahia. Essas estruturas permitem ajustar o volume importado de acordo com as necessidades do sistema energético e do mercado industrial.

Operação movimentará cadeia marítima do GNL

A contratação também tem impacto direto sobre a economia do mar. O fornecimento dependerá de uma cadeia logística que envolve terminais portuários, navios metaneiros, operações de carregamento e descarga, serviços marítimos e infraestrutura costeira de regaseificação.

O contrato transforma a Petrobras na primeira companhia sul-americana a integrar a carteira de clientes de GNL da Sempra Infrastructure. A empresa norte-americana atua no desenvolvimento de terminais, redes de energia e projetos de baixo carbono na América do Norte.

Ao garantir uma parcela do abastecimento por duas décadas, a Petrobras fortalece sua capacidade de planejamento. Por outro lado, o acordo também estabelece uma dependência prolongada de uma fonte externa, sujeita a custos de transporte marítimo, variações cambiais e riscos geopolíticos. O efeito para o mercado brasileiro dependerá das condições comerciais do contrato e de como o GNL importado será combinado com o crescimento da produção nacional de gás, especialmente a proveniente do pré-sal.

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