O Canal do Panamá poderá reduzir novamente o número diário de travessias caso a seca provocada pelo El Niño se intensifique nos próximos meses. Segundo informações da AFP, a medida ampliaria as restrições já adotadas para preservar os reservatórios que abastecem o sistema de eclusas da hidrovia.
A partir desta terça-feira, 15 de setembro, o limite operacional passa a ser de 32 navios por dia. No início de setembro, a capacidade já havia sido reduzida de 36 para 34 travessias diárias. Segundo a administração do canal, o volume poderá cair para cerca de 29 embarcações entre fevereiro e março de 2027, dependendo das chuvas registradas até novembro.
O funcionamento da ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico depende principalmente da água armazenada nos lagos Gatún e Alajuela. Cada travessia consome aproximadamente 200 milhões de litros de água para elevar e baixar as embarcações nas eclusas.
Limitação de calado
Entre maio e agosto, as chuvas na bacia do canal ficaram 34% abaixo da média, enquanto a entrada de água nos reservatórios recuou 44%. Além da redução de vagas, a administração limitou o calado dos navios, o que pode obrigar armadores a transportar menos carga ou redistribuí-la entre outras embarcações.
As autoridades não esperam, por enquanto, repetir o cenário de 2023 e 2024, quando o número de travessias chegou a apenas 22 por dia. A intensidade projetada para o atual El Niño, entretanto, mantém o setor marítimo em alerta.
Responsável por cerca de 5% do comércio marítimo mundial, o Canal do Panamá é uma rota relevante para o transporte de contêineres, grãos, gás e outras mercadorias entre a Ásia e a costa leste das Américas. Restrições mais severas podem ampliar filas, elevar fretes e estimular desvios pelo Canal de Suez, pelo Cabo da Boa Esperança ou por rotas terrestres.
O novo episódio reforça a vulnerabilidade de infraestruturas marítimas dependentes das condições climáticas. Para as cadeias globais, o impacto não se limita à capacidade diária do canal: embarcações com menos carga, viagens mais longas e disputas por horários de passagem aumentam os custos e dificultam o planejamento logístico.






