Home / DESTAQUE PRINCIPAL / INPO: Brasil ainda depende de plataformas estrangeiras para acessar dados sobre o próprio oceano

INPO: Brasil ainda depende de plataformas estrangeiras para acessar dados sobre o próprio oceano

O Brasil possui 5,7 milhões de quilômetros quadrados de área marítima sob sua jurisdição, mas ainda enfrenta dificuldades para armazenar, integrar e disponibilizar dados sobre esse território. A conclusão faz parte do primeiro Diagnóstico Nacional sobre o Oceano, elaborado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO).

O levantamento identificou somente sete bases de dados brasileiras dedicadas exclusivamente ao oceano. Parte das informações produzidas por universidades, órgãos públicos e projetos de pesquisa permanece dispersa em diferentes instituições, sistemas e formatos.

A fragmentação faz com que pesquisadores brasileiros recorram a plataformas estrangeiras para localizar ou processar dados relacionados ao próprio território marítimo. O problema não significa ausência de produção científica, mas falta de infraestrutura integrada para organizar e oferecer acesso ao material coletado.

Baixa interoperabilidade

Informações oceanográficas são utilizadas em previsão climática, segurança da navegação, conservação ambiental, pesca, aquicultura, exploração offshore e planejamento costeiro. A baixa interoperabilidade entre sistemas pode aumentar o tempo necessário para análises e dificultar a comparação entre séries históricas.

Como resposta, o INPO desenvolve o Sistema de Armazenamento e Disponibilização de Dados (SADD). A plataforma pretende reunir diferentes fontes em um ambiente aberto e integrado, facilitando a consulta, o compartilhamento e o reaproveitamento das informações.

Em setembro, o instituto abriu o sistema para testes por pesquisadores. A participação da comunidade científica deverá ajudar a identificar falhas e ajustar ferramentas antes da operação mais ampla.

A criação de uma infraestrutura nacional não elimina a importância da cooperação internacional. O objetivo é garantir que o país também possua capacidade própria para administrar informações estratégicas sobre a Amazônia Azul e transformá-las em pesquisa, políticas públicas e decisões econômicas.

Marcado: