O governador eleito do Amapá, Dr. Furlan (PSD), pretende concentrar no estado as estruturas de apoio e as oportunidades de trabalho que poderão surgir com a exploração de petróleo na Margem Equatorial.
Em entrevista ao Poder360 publicada no domingo, 1º de novembro, ele defendeu investimentos em infraestrutura para ampliar a participação amapaense na cadeia de petróleo e gás.
Furlan, que assumirá o governo em janeiro de 2027, apresentou como prioridades a conclusão da pavimentação da BR-156, a modernização do Porto de Santana e a preparação de trabalhadores para atender às demandas do setor. O planejamento inclui um distrito industrial e cursos de qualificação.
“As obras têm que ocorrer no Amapá, o petróleo tem que sair daqui”, afirmou ao veículo. A intenção é manter no território empregos, serviços e arrecadação associados à eventual produção.
A BR-156, que liga Macapá a Oiapoque, aparece entre os principais gargalos. O governador eleito pretende discutir com o governo federal a conclusão dos trechos pendentes, inclusive a possibilidade de execução pelo estado mediante acordo.
Porto de Santana integra planejamento logístico
Para Santana, Furlan defende a instalação de um retroporto, com áreas de armazenagem e serviços de apoio portuário e industrial. A proposta ainda precisa ser diferenciada dos investimentos já contratados para outras atividades no terminal.
Em 23 de outubro, o Ministério de Portos e Aeroportos assinou o contrato de arrendamento do MCP01, com previsão de R$ 150,2 milhões em investimentos ao longo de 25 anos. A área é destinada à movimentação e à armazenagem de granéis sólidos vegetais, especialmente soja e milho.
Arrematado pela CS Infra, o terminal deverá receber correias transportadoras, um novo carregador de navios e melhorias nos píeres e na infraestrutura terrestre. Esses investimentos atendem ao escoamento agrícola pelo Arco Norte e não representam, por si só, a implantação de uma base petrolífera.
O ministério também informou a previsão de revitalizar aproximadamente 1,2 quilômetro de acessos terrestres ao porto, com investimento estimado em R$ 11,6 milhões. O cronograma divulgado prevê início em novembro de 2026 e conclusão em novembro de 2027.
Descobertas ainda dependem de avaliação
A preparação logística ocorre enquanto a Petrobras avalia o potencial da Bacia da Foz do Amazonas. Em 29 de outubro, a companhia anunciou um terceiro intervalo com petróleo no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, em águas ultraprofundas da costa do Amapá.
Segundo a estatal, a perfuração e a aquisição dos dados geológicos foram concluídas. A etapa seguinte compreende a finalização das operações e o abandono do poço, procedimento de encerramento que não equivale à desistência da avaliação da área.
A confirmação de petróleo também não significa que já exista produção comercial aprovada. O desenvolvimento de um campo depende da análise dos dados, da viabilidade econômica, das decisões de investimento e das autorizações necessárias.
Para o Amapá, a agenda apresentada pelo governador eleito busca antecipar a preparação para esse possível mercado. A definição das bases operacionais e dos serviços que poderão ser instalados no estado dependerá dos projetos efetivamente aprovados pelas empresas.

Jornalista com mais de 15 anos de experiência nas áreas de economia e desenvolvimento sustentável. É editor do site Revista Economia do Mar.






