O acordo de livre-comércio entre Mercosul e Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) passou a valer nas relações entre Brasil e Noruega neste domingo, 1º de novembro.
A entrada em vigor abre espaço para ampliar as trocas de produtos agrícolas, industriais e pescados, com efeitos potenciais sobre as cadeias de transporte e os serviços marítimos.
A Noruega é o principal parceiro comercial brasileiro entre os quatro integrantes da EFTA, que também reúne Islândia, Suíça e Liechtenstein. Com a Islândia, o acordo já estava em vigor desde outubro. Suíça e Liechtenstein ainda dependem da conclusão dos procedimentos internos.
Benefícios
Assinado no Rio de Janeiro em setembro de 2025, o tratado prevê eliminação ou redução gradual de tarifas, além de compromissos para facilitar o comércio. Os benefícios variam conforme o produto, o país de destino e os prazos estabelecidos nos anexos.
Café, soja e pescados nas trocas bilaterais
Em 2025, as exportações brasileiras do agronegócio para a Noruega somaram US$ 203 milhões, queda de 33% em relação ao ano anterior. Os dados são do Ministério da Agricultura e Pecuária, compilados pela plataforma Agrostat e divulgados pela CNN Brasil.
O café respondeu por US$ 105,6 milhões, seguido pelos produtos do complexo da soja, com US$ 45,5 milhões. A categoria de produtos alimentícios diversos acrescentou US$ 23 milhões aos embarques.
No sentido inverso, o Brasil importou US$ 111 milhões em produtos agropecuários noruegueses. Desse total, US$ 106 milhões corresponderam a pescados, evidenciando a importância da cadeia pesqueira na relação comercial.
Para a economia do mar, o acordo envolve tanto as cargas transportadas quanto os serviços necessários para movimentá-las. Produtos secos e alimentos que exigem controle de temperatura demandam soluções distintas de acondicionamento, armazenagem e transporte.
A possibilidade de expansão dos negócios interessa, portanto, a exportadores, importadores, armadores, terminais e operadores logísticos. A redução tarifária, porém, não assegura por si só novos embarques: preços, demanda e custos de entrega continuam determinantes.
Tarifas menores exigem atenção às regras
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, parte das concessões brasileiras no mercado norueguês tem aplicação imediata. Entre os produtos contemplados estão vestuário, têxteis confeccionados, leveduras, óleos vegetais refinados e alimentos industrializados.
Outras mercadorias estão sujeitas a cotas ou cronogramas específicos. A Secretaria de Comércio Exterior regulamentou a distribuição de cotas de exportação para itens como carnes, mel, maçãs, milho e farinha de soja.
O acesso às preferências exige comprovação de origem e atendimento às condições previstas para cada operação. Também permanecem aplicáveis requisitos sanitários, licenças e regras de rotulagem.
O acordo alcança ainda os serviços. O governo norueguês informa que o texto estabelece condições mais previsíveis para prestadores e investidores, incluindo atividades marítimas, e prevê a redução de determinadas barreiras enfrentadas pelos armadores do país.
Com a vigência, as empresas passam da expectativa sobre o tratado à avaliação de negócios concretos. Para cada embarque, será necessário verificar quanto o benefício tarifário representa no custo final e quais exigências precisam ser atendidas antes da contratação do transporte.






