O Estado de Goiás busca ampliar as vendas de produtos agroindustriais aos países do Mercado Comum do Sul (Mercosul). A proximidade dos mercados vizinhos oferece oportunidades para diversificar destinos e comercializar mercadorias com maior valor agregado, mas a expansão depende da capacidade de organizar o fornecimento e reduzir obstáculos logísticos.
Segundo reportagem do Jornal Opção, um estudo encaminhado pela Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços de Goiás identifica potencial em proteínas animais, derivados de soja, etanol, laticínios, insumos e equipamentos agrícolas. A análise também aponta entraves relacionados a transporte, exigências sanitárias e concorrência.
Um exemplo é Britânia, que recebeu autorização para exportar melancia, melão e abóbora após monitoramento fitossanitário. Com a inclusão, o estado passou a ter 20 municípios habilitados para vender esses produtos aos mercados abrangidos pelo processo, que incluem países do Mercosul e os Emirados Árabes Unidos.
Ao jornal, o presidente da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), José Ricardo Caixeta Ramos, ressaltou que a habilitação precisa ser acompanhada por compradores, escala, qualidade e transporte adequado. A autorização representa acesso ao mercado, sem assegurar contratos.
Do campo ao comprador
A diferença entre atender um país vizinho e alcançar um destino distante exige planejamento específico para cada operação. Conforme explicou Caixeta à reportagem, a proximidade de Paraguai, Argentina e Uruguai favorece o transporte rodoviário, enquanto mercados mais distantes tornam a entrega de perecíveis mais complexa.
Sob a perspectiva logística, essa diferença exige avaliar a viagem completa. Em uma operação marítima, por exemplo, a chegada ao porto é uma etapa intermediária: armazenagem, espera pelo embarque, tempo de navegação e distribuição no destino precisam caber no prazo de conservação da mercadoria.
Para produtos que exigem refrigeração, a análise também deve considerar a continuidade do controle de temperatura nas transferências entre veículos, terminais e embarcações. Um frete inicialmente mais barato pode perder a vantagem se houver atrasos ou perdas de qualidade.
Competitividade além do volume
A leitura para a cadeia de comércio exterior é que ampliar destinos exige coordenar produção, transporte e entrega. Antes de assumir novos contratos, o exportador precisa verificar se consegue manter frequência, padrão e prazo, inclusive em períodos de maior demanda.
Essa coordenação também ajuda a dimensionar investimentos em processamento, embalagem e armazenagem.
Para o interior goiano, o potencial de geração de renda dependerá da transformação das oportunidades comerciais em operações regulares, capazes de remunerar produtores e sustentar os serviços envolvidos no escoamento.






