O excesso de chuvas está prejudicando os embarques de açúcar no Brasil e reduzindo o ritmo da colheita de cana no centro-sul.
Os efeitos sobre o abastecimento e a logística foram apresentados em reportagem da Reuters publicada em 2 de outubro.
Dados de corretores de navegação citados pelo analista Michael McDougall indicam que os carregamentos em Santos precisaram ser interrompidos por pelo menos 35 dias entre julho e setembro. Em Paranaguá, foram registradas 30 interrupções no trimestre.
Transferência
A paralisação ocorre para evitar que o açúcar seja molhado durante a transferência para os navios. Os indicadores apresentados para os dois portos são diferentes: um se refere a dias, enquanto o outro contabiliza interrupções.
No campo, a consultoria Datagro estima que cerca de 35 milhões de toneladas de cana permanecerão para processamento em 2027. A umidade dificulta o trabalho das máquinas e compromete o ritmo de abastecimento das usinas.
Os preços do açúcar chegaram a subir 5% em Nova York em 2 de outubro. A reportagem relaciona a alta às chuvas brasileiras e a problemas de produção em outras regiões.
Para exportadores, interrupções recorrentes exigem revisão da programação de entrega e embarque. A mercadoria pode estar disponível e ainda assim depender de uma janela de tempo favorável para alcançar o porão do navio.
Quando o carregamento demora, contratos e planejamento logístico precisam considerar possíveis despesas adicionais. A ocorrência de sobrestadia, cobrança associada ao tempo excedido de permanência do navio, dependerá dos termos contratados e das circunstâncias da viagem.
Os efeitos da chuva precisam ser acompanhados em toda a cadeia. A retomada do cais, isoladamente, não resolve uma eventual redução da oferta das usinas, assim como a recuperação da colheita pode não coincidir com as condições necessárias para embarcar.






