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Robôs submarinos ajudam cientistas a descobrir 31 espécies no Atlântico Sul

Uma equipe internacional de pesquisadores identificou 31 novas espécies marinhas durante duas semanas de exploração no Atlântico Sul, em águas internacionais ao largo do Brasil. O trabalho foi realizado a bordo do navio de pesquisa Falkor (too), operado pelo Schmidt Ocean Institute, e combinou imagens de alta resolução com análises genéticas feitas na própria embarcação. Os resultados, divulgados inicialmente em junho, foram retomados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO) em publicação de 23 de setembro.

A investigação se concentrou na chamada meia-água, região entre a camada superficial iluminada pelo sol e o fundo do oceano. Esse ambiente ocupa um volume imenso, mas permanece pouco estudado. A dificuldade de acesso e a fragilidade de muitos dos organismos encontrados tornam a exploração especialmente desafiadora.

Entre as espécies identificadas estão nove águas-vivas, sete sifonóforos, sete ctenóforos e quatro larváceos. Os sifonóforos são colônias formadas por unidades que funcionam em conjunto; os ctenóforos usam pequenas fileiras de cílios para nadar; e os larváceos têm aparência semelhante à de girinos e constroem estruturas de muco para filtrar alimento.

Para observar esses seres sem danificar seus corpos delicados, os cientistas utilizaram o SuBastian, um veículo operado remotamente, conhecido pela sigla inglesa ROV. Equipamentos instalados no robô produziram imagens tridimensionais e registros de estruturas internas dos animais. As análises genéticas complementaram a identificação, permitindo confirmar descobertas em poucos dias.

Pesquisadores brasileiros participam de novas missões

A sequência de pesquisas inclui uma expedição programada de 20 a 30 de setembro à Zona de Fratura Romanche, no Atlântico Equatorial. Batizada de The Gap, a missão é liderada por José Angel Perez, professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e integrante da rede INPO, com investigação de comunidades biológicas a até 4.500 metros de profundidade.

O professor Alex Bastos, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), também integra essa frente de pesquisa. Ele participou de uma missão anterior à Zona de Fratura Doldrums, que encontrou dois campos de fontes hidrotermais, locais onde fluidos aquecidos emergem do fundo oceânico.

As atividades também chegam às escolas. O INPO prevê seis encontros entre setembro e outubro para conectar 150 estudantes da rede pública do Rio de Janeiro aos pesquisadores embarcados. A proposta permite acompanhar a exploração e conhecer o trabalho científico desenvolvido no mar.

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