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Dia Mundial da Alimentação: o futuro da comida também passa pelos mares

O debate sobre como alimentar a população também passa pelos oceanos. Neste 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, a relação entre produção de comida e preservação dos recursos naturais ganha destaque. Em 2026, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) coloca a inovação no centro dessa discussão, ao lado da ciência e dos conhecimentos tradicionais.

No Brasil, essa conexão é abordada na publicação “Uso sustentável dos mares para soberania alimentar”, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Publicado em 2018, como capítulo do livro Vida na água: contribuições da Embrapa, o trabalho reúne pesquisas sobre o aproveitamento sustentável dos recursos marinhos para a produção de alimentos e o desenvolvimento econômico e social.

A publicação identifica oportunidades para a criação de peixes marinhos no país, considerando suas condições ambientais. Também apresenta experiências com camarões e ostras nativas, incluindo iniciativas de cultivo em comunidades de pescadores artesanais do Piauí e do Maranhão.

Conhecimento ao produtor

Para transformar esse potencial em oferta regular de pescado, o conhecimento científico precisa chegar ao produtor. Entre as frentes descritas estão o controle de doenças, o monitoramento da água, o desenvolvimento de rações e o aproveitamento de resíduos do processamento de camarões. São pesquisas que aproximam eficiência produtiva, qualidade dos alimentos e redução de impactos ambientais.

Um dos exemplos é o Projeto Bijupirá, que reuniu instituições brasileiras e estrangeiras para estudar a criação desse peixe marinho. O trabalho investigou sistemas de produção, alimentação e sanidade, formando uma base técnica para o desenvolvimento da atividade.

Sob a perspectiva da economia do mar, essas experiências apontam uma questão central: o potencial natural, sozinho, não garante alimento na mesa. A produção precisa estar conectada a assistência técnica, conservação do pescado, transporte e canais de comercialização. Sem essa estrutura, os benefícios podem ficar concentrados em poucos elos da cadeia.

Outra dimensão é a participação das comunidades costeiras. Fortalecer produtores locais significa criar condições para que a expansão da atividade também gere renda e abastecimento nos territórios onde o pescado é produzido.

Neste Dia Mundial da Alimentação, a reflexão é concreta: ampliar a contribuição dos mares exige cuidar das condições que tornam essa produção possível. O avanço da economia azul terá maior alcance social quando conservação, pesquisa e acesso aos alimentos caminharem juntos.

Com informações da FAO e da Embrapa.

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