O Canal do Panamá encerrou o ano fiscal de 2026 com recorde de 521 milhões de toneladas na medida PC/UMS, sistema utilizado para calcular a capacidade volumétrica das embarcações. O resultado superou a marca de 518 milhões registrada em 2022 e reforçou a importância da passagem na reorganização das rotas internacionais. O indicador não corresponde ao peso efetivo das mercadorias transportadas.
Entre outubro de 2025 e setembro de 2026, a via recebeu 13.951 trânsitos, crescimento de 4,1% sobre o exercício anterior. A movimentação foi sustentada pelos segmentos de transporte de energia e de contêineres, além da maior participação de navios de grande capacidade.
Segundo informações divulgadas pela agência de notícias AFP, as restrições no Estreito de Ormuz estimularam a procura por alternativas para o transporte de energéticos. Em determinado período, a administração panamenha ampliou os trânsitos diários de 36 para 41 para atender à demanda.
Disponibilidade de água
O desempenho ocorreu apesar das dificuldades associadas à disponibilidade de água. O funcionamento das eclusas depende de reservatórios de água doce, o que torna a operação sensível à distribuição das chuvas e aos episódios de seca.
Para armadores e embarcadores, o cenário reforça a necessidade de avaliar conjuntamente segurança, disponibilidade de passagem e custo logístico. Uma rota comercial pode ganhar demanda por oferecer maior proteção às cargas e, ao mesmo tempo, enfrentar limitações ambientais.
Para o comércio exterior brasileiro, a principal implicação está no planejamento: mudanças em corredores estratégicos podem alterar escalas, disponibilidade de navios e condições de contratação, mesmo quando a carga não atravessa diretamente a região em conflito.






