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Economia Azul para a Bahia: inovação e sustentabilidade

Por Jorge Khoury*

A Bahia reúne condições singulares para transformar a Economia Azul em uma agenda de desenvolvimento, inovação e sustentabilidade. Classificado pelo Sebrae como uma das Economias Portadoras de Futuro, o conceito busca conciliar crescimento econômico, conservação ambiental e inclusão social por meio do uso sustentável dos recursos dos oceanos, das zonas costeiras e também das águas continentais.

A proposta amplia a visão da Economia do Mar, observando que os recursos hídricos são sistêmicos e integram o litoral aos rios, lagos e bacias hidrográficas. Turismo, pesca e aquicultura sustentáveis, biotecnologia marinha, logística, indústria náutica, energias renováveis, gastronomia e conservação ambiental estão entre as oportunidades identificadas pelo Sebrae.

É nessa diversidade que a Bahia encontra uma importante vocação. O estado possui a maior faixa litorânea do país, biodiversidade marinha, cadeias de pesca e mariscagem, destinos turísticos consolidados e infraestrutura portuária. No interior, a riqueza hídrica tem no Rio São Francisco um dos principais ativos para a consolidação de negócios e experiências.

Na costa, há espaço para ampliar o turismo náutico, passeios embarcados, mergulho, ecoturismo, turismo comunitário, artesanato e gastronomia associada aos territórios costeiros. Salvador e a Baía de Todos-os-Santos, além de destinos como Morro de São Paulo, Itacaré, Maraú, Porto Seguro, Prado, Caravelas e Abrolhos, reúnem diferentes possibilidades de negócios ligados à valorização dos recursos naturais e humanos associados às tradições litorâneas.

Por isso, essa agenda estratégica também alcança pequenos negócios da pesca artesanal, mariscagem, cultivo de moluscos e processamento de pescado, com oportunidades em rastreabilidade, certificação e agregação de valor. Na biotecnologia marinha, a biodiversidade pode gerar soluções para alimentos, cosméticos, fármacos e tecnologias ambientais.

No Vale do São Francisco, a Economia Azul ganha nova dimensão. Turismo fluvial, gastronomia, enoturismo, esportes náuticos, pesca sustentável e economia criativa ribeirinha mostram como o conceito pode conectar diferentes segmentos econômicos e territórios baianos.

Transformar potencial em negócios exige governança, capacitação, inovação, integração de políticas públicas e produção de conhecimento. Para a Bahia, a Economia Azul representa uma oportunidade de aproximar litoral e interior, tradição e inovação, conservação e empreendedorismo. O desafio é transformar a abundância de recursos naturais em prosperidade duradoura, com negócios competitivos e comprometidos com a preservação dos territórios.

*Diretor-superintendente do Sebrae/BA.

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